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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Seg | 20.01.20

Sinto-me cansado quando treino. Será que me alimento bem?

José Guimarães

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Há uns meses atrás increvi-me no primeiro Ironman (full distance) a ser realizado no nosso país. Depois de Copenhaga, disse para mim mesmo que tão cedo não me iria meter noutra igual... Mas quando gostamos muito de fazer uma coisa, não devemos dizer "desta água não beberei". E foi assim que, na companhia do Marvila Oriental Triatlo (que me acolheram mais uma época), na motivação física da casa Goall, na paciência da família lá de casa e sob a orientação técnica do Sérgio Santos da Ontrisports, comecei este ano a treinar. Vão ser 10 meses que já começaram a dar trabalho.
 
Uma das coisas que tenho que aprender a trabalhar é a minha disponibilidade energética, já que muitas são as vezes (demasiadas até) em que me sinto demasiado cansado. É certo que é difícil conciliar trabalho, família, vida social e treinos. Mas a fadiga incomoda e quando se instala de forma mais permanente, pior ainda.
 
Percebi com as devidas ajudas que existem inúmeros fatores que se devem ter em conta e que, sem nos apercebermos, podem estar a influenciar negativamente o nosso rendimento. A fadiga permanente pode manifestar-se de muitas formas mas, regra geral, está ligada a uma sensação de fadiga profunda, dores musculares persistentes, ou até a incapacidade de recuperar adequadamente. O corpo humano é muito complexo e, se sentimos que até comemos bem e em quantidade suficiente, mas mesmo assim não temos energia, provavelmente estamos a fazer algo de errado.
 
Se este é o vosso caso, aqui ficam algumas coisas que se devem ter em consideração:
 

Aporte calórico

 
Não se pode falar de fadiga sem se falar de aporte calórico. Um dos erros mais comum nos atletas de resistência é não comer o suficiente para conseguir suportar de forma adequada o volume de treinos. Responder à fome é crítico e temos mesmo que ingerir as quantidades adequadas de combustível.
 
Falo muitas vezes com pessoas que simplesmente se esquecem de comer e - mais grave ainda - de beber! Malta com horários mais complicados: coloquem lembretes na vossa agenda, para se lembrarem de beber e comer! Desta forma, constroem uma rotina de nutrição que vos vai ajudar a não falhar refeições e "buchas". Por exemplo, tomar o pequeno almoço entre as 8h00 e as 10h00 (já no trabalho), um "snack" às 11h30, almoço entre as 12h30 e as 14h00, outro "snack" às 16h00 ou 17h00 e o jantar nunca depois das 20h00. Também ajuda ter sempre um "snack" disponível no carro, no trabalho, ou na mochila, isto para manter um aporte calórico consistente.
 

Deficiências de vitaminas e minerais

 
A qualidade é tão importante como a quantidade e até a variedade (um pouco mais discutível). Muitas pessoas que sentem não terem esta variedade de nutrientes no prato da comida, optam por suplementos como vitamina B, ou magnésio, zinco ou ferro, que está ligado à capacidade do corpo em produzir energia. Mas por forma a irem diretos ao que vos pode estar a causar problemas, não se ponham a adivinhar e a comprar suplementos só porque sim. Consultem um nutricionista ou um médico que vos peça umas boas análises ao sangue e consiga perceber o que é que, de facto, vocês precisam. Já vos falei da minha experiência com a Vitality Clinic? Não? Perguntem-me que eu conto...
 

Estilo de vida

 
O sono e o stress também contribuem para a fadiga de uma forma muito mais presente do que se possa pensar. Não dormir o suficiente e de forma regular afeta-nos a um nível hormonal e provoca falhas na adaptação aos estímulos de treino. O stress pode promover níveis altos de cortisol, deixando-nos exaustos. Desenvolver uma rotina de sono, ou fazer aquela sesta ou sessão de meditação diária podem ajudar a combater estes problemas.
 

Considerações médicas

 
Algumas questões médicas também podem interferir com a fadiga. Como algumas doenças são inflamatórias (doença celíaca, Crohn, etc), podem afetar o corpo a vários níveis, como a capacidade de absorver vitaminas e minerais. Sintomas como dores abdominais frequentes, irregularidades gastro intestinais, sistema nervoso nos píncaros e ansiedade elevada, perda de cabelo, etc, são sintomas que podem sugerir outras doenças, pelo que, sempre que possível, devem visitar um médico e manter a vossa saúde debaixo de olho.