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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Ter | 01.09.20

Dicas para quando custa regressar aos treinos

José Guimarães

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Eu sei que custa. Custa e não é pouco. Estou a falar do regresso aos treinos, depois da temporada de férias que, para muitos, foi agravada com a pandemia da Covid-19 e o período forçado em casa que muitos tiveram de enfrentar.

Agora, com o retomar do trabalho e o início das aulas, sei que muitos de vocês têm alguma dificuldade em reagendar o calendário para encaixar as rotinas de treino. E o resultado do tempo passado em "off", agora que vou regressando aos treinos estruturados, é que cada vez que vou correr parece que tenho mais 10 kg de peso!!! E isto é, sem dúvida, algo desgastante.

Já aqui escrevi várias vezes sobre formas de aumentar a motivação para regressar aos treinos, após uma temporada sem treinar e esta é uma altura excelente para recuperar algumas dessas ideias, principalmente porque há certamente objetivos a cumprir, sejam eles começar a correr, cumprir os primeiros 10 km ou melhorar o tempo de corrida.

 

Estratégias psicológicas para voltar aos treinos

Antes de mais, recomendo que eliminem qualquer tipo de sentimento de culpa que possam ter, por não terem cumprido a rotina ou o plano de treinos estipulado, ou até mesmo sobre alguns dos excessos alimentares típicos do verão (ai aqueles gins ao pôr do sol). Culpa ou auto-punição só funcionam se nos levarem a tomar alguma ação concreta e produtiva. O que ajuda é pensarmos num plano concreto para retomar os treinos, nem que seja aquela rotina habitual de sair de casa para ir correr todos os dias. Isto pode significar que, por exemplo, está na hora de procurar um parceiro de corridas, ou um treinador que vos ajude no planeamento. Fazer planos concretos em torno de objetivos concretos, torna a corrida mais eficiente, mais fácil e ajuda a sermos mais honestos para nós próprios.

Outro fator a ter em consideração é o tempo e as horas a que começa o dia e cai a noite. Nesta altura, há que ter em conta que os dias começam a ser mais curtos e ajuda se treinarmos num ginásio que tenha passadeiras ou elípticas. Treinar num ginásio traz algumas vantagens, como por exemplo o acesso a treinadores especializados, além de ser um ótimo lugar para conhecermos pessoas com gostos semelhantes aos nossos (porque não o nosso próximo parceiro de corrida?).

Outra coisa é fixar objetivos concretos e realistas. Se nos deixámos levar um pouco pelo "desleixo" das férias, provavelmente não nos será possível retomar os treinos no ponto onde os interrompemos. Voltem à rotina devagar e com calma, mesmo que durante a corrida se sintam tentados a experimentar os limites. Por exemplo, se normalmente correm 60 minutos seguidos, 5 vezes por semana, talvez seja melhor recomeçarem com 30 minutos de corrida na primeira semana. Temos de saber ouvir o nosso corpo e confiar no que ele nos "diz". E se se sentirem cansados, descansem.

Corro um certo risco de me tornar chato e repetitivo por estar sempre a falar de objetivos, mas para mim estes são de facto os grandes motivadores. Por exemplo, com tantas corridas virtuais a acontecer por aí, porque não pegam num grupo de amigos e se desafiam para fazer daqueles 5 km os mais rápidos que já conseguiram? Ou completar uma meia maratona virtual? Ter um objetivo como participar numa corrida pode-nos dar aquilo que nos falta para termos mesmo de treinar e superar as dificuldades que surgem no caminho. E os objetivos funcionam bem quando são separados em objetivos a longo prazo, com metas a curto prazo. As metas a curto prazo devem ser facilmente atingíveis e devem ser as que nos permitem chegar ao grande objetivo final. Por exemplo, se já correm 5 km por dia e querem chegar aos 10 km, têm de ir aumentando a distância inicial gradualmente, digamos 5% ou 10% por semana, ao longo de algumas semanas. Não esperem que a longo prazo tudo corra bem se começarem logo a correr 10 km de seguida. Sigam um plano de treinos adequado e vão ver que os resultados aparecem (e as lesões não).

Uma componente importante para atingir objetivos é algo a que frequentemente chamo de força de vontade. No entanto, a força de vontade também se consegue através de um bom planeamento.

Uma parte importante desta força de vontade vem das recompensas que podemos dar a nós próprios pelos nossos esforços. Isto porque está mais do que provado que as pessoas mantêm um comportamento, se este for de alguma forma recompensado. As recompensas podem ser tanto internas ou externas. As primeiras são para mim as melhores e envolvem coisas como palavras de apreciação, agradecimentos, etc. É a chamada "auto-palmadinha nas costas". Normalmente temos uma tendência para ser duros com nós próprios e negarmo-nos a algumas coisas que de facto gostaríamos. Quanto estiverem a tentar chegar às metas ou objetivos, falem com vocês próprios da mesma forma que falariam a um amigo para o encorajar. As recompensas externas também ajudam, pois são coisas que gostaríamos de obter como forma de sermos recompensados por aquele treino mais duro no ginásio, por exemplo. Estou a falar de uma hora de sono a mais na manhã seguinte, de não ter de lavar a loiça daquele dia, ou de comprar algum artigo especial, como aquele novo par de ténis que (sim, agora!) tanto merecemos. Claro que estes tipos de recompensas dependem muitas vezes da questão financeira, mas até aqui podemos ser criativos e não depender de dinheiro. Peçam a alguém que vos faça algo que normalmente fazem a vós próprios (uma massagem?). Não devemos hesitar em envolver outras pessoas no nosso sistema de recompensas, tal como nos nossos objetivos de corrida.

 

Conclusão

Esta é a melhor altura para regressar à rotina... por muito que custe! Deixem o sentimento de culpa de parte e envolvam os amigos e a família, para que também estes sintam que têm uma parte ativa para vos ajudar. Estabeleçam objetivos realistas e, acima de tudo, divirtam-se! :)

Fonte: Washington Running Report

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