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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Qui | 19.11.20

O futuro da(s) corrida(s) passa por todos nós

José Guimarães

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Estou aqui para dizer que espero sinceramente que 2021 nos traga uma nova forma de olhar não só para a pandemia, mas principalmente para o que estamos a fazer às nossas vidas. Espero mesmo que sim.

Estou aqui a dizer isto, porque todos os dias a toda a minha volta assisto constantemente ao que parecem castelos de cartas a ruir, só porque sim. Porque quem manda nisto tudo insiste em amedrontar os outros com medidas algumas vezes avulso, contraditórias e injustificadas, que parecem prejudicar tanto quanto tentam proteger. E há tantas formas mais eficazes de nos protegemos uns aos outros.

Podem ainda não ter percebido, mas em alguns casos o cenário é mesmo dramático! É que às vezes corremos o risco de olhar tanto para o nosso umbigo, que não tomamos noção da realidade que vai acontecendo à nossa volta. Se nos lembrarmos de como eram os fins de semana no ano passado, em que havia dezenas de provas para escolher, é muito difícil imaginar atualmente como é que os organizadores dessas provas sobrevivem, se não têm provas para organizar.

Por um lado, temos assistido ao aparecimento de corridas virtuais um pouco por todo o lado, infelizmente muitas sem qualidade, organizadas somente com objetivos financeiros em vista, abusando forte e feio das redes sociais e aproveitando este hiato no calendário desportivo. Por outro lado, assiste-se (e bem) à organização de eventos virtuais que têm como objetivo substituir as corridas que tiveram de ser adiadas ou canceladas. E tal como opto por ir ao restaurante "a" ou "b" porque bem precisam da clientela, também me tenho inscrito em algumas corridas virtuais, não só as gratuitas, mas principalmente as pagas.

Muitas destas empresas estão a passar por um momento verdadeiramente dramático e não me admirava nada se alguns escolhessem encerrar atividade. Além do valor das inscrições, os eventos têm conseguido manter as parcerias estratégicas que, juntamente à visibilidade das redes sociais, conseguem garantir alguma receita. E se queremos continuar a ter eventos com qualidade quando toda esta situação passar, hoje é o momento de sermos solidários! Temos de nos inscrever e contribuir!

Quanto a mim, já me inscrevi na São Silvestre do Porto, paguei €10 e, assim que abrirem inscrições, também me irei inscrever na São Silvestre de Lisboa, pagando o que me for pedido.

Apelo a todos para fazerem o mesmo! E se por qualquer motivo até nem puderem participar, inscrevam-se na mesma e ajudem desta forma aqueles que sempre foram os grandes promotores das nossas alegrias desportivas.

Imaginem só que conseguíamos entre todos um movimento de tal forma abrangente, que milhares de nós se inscreviam em cada um desses eventos! Para cada um de nós, individualmente, pouco ou nada representaria. Mas para essas organizações seria provavelmente o suficiente para garantir a sua existência em 2021 e nos anos seguintes.

Além disto, do ponto de vista físico e psicológico é muito bom termos objetivos, sejam eles quais forem! Trabalhar às escuras dá cabo da cabeça a qualquer pessoa e esta até é a melhor altura do ano para desenvolver a aptidão física ideal para a corrida. É no inverno que se começam a preparar as bases das corridas que se vão fazer daqui a 3, 4 ou 6 meses, sejam elas mais curtas ou mais longas. Quem sabe se não é agora, longe da pressão das provas, dos outros, das datas, que não alinham naqueles primeiros 10km, ou naquela primeira meia maratona?

E no final de contas, além de estarmos a ajudar quem precisa, também são muito importantes os benefícios que todos tiramos disto. Mesmo que seja de uma forma virtual, é sempre bom ter motivos para socializar, nem que seja online, com umas daquelas "picardias oficiais" no Strava com os nossos amigos ;)

Ter | 10.11.20

Como fazer exercício e perder peso

José Guimarães

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O título do artigo original em que me baseei para escrever as próximas linhas é muito longo, mas é faz sentido: "Porque é há pessoas que correm, mas não conseguem perder peso?". Sou só eu que acho que é uma boa questão?

As pessoas que esperam perder peso ao praticarem exercício físico tornam-se em muitos casos inimigas de si próprias. De acordo com um estudo feito em larga escala que analisou quanto e como as pessoas se alimentavam depois de fazer exercício, descobriu-se que a maior parte delas não só falhava no objetivo de perder peso, como algumas até aumentavam. Isto porque também alteravam as suas vidas em pormenores muito subtis. No entanto, algumas conseguiram de facto perder peso, trazendo lições valiosas para todas as outras pessoas.

Teoricamente, praticar exercício deveria tornar-nos mais magros. A atividade física consome calorias, pelo que, se as queimamos mais do que repomos, o défice energético deveria ajudar. Mas o metabolismo humano não funciona todo da mesma forma e muitos estudos mostram que a maior parte das pessoas que começa a praticar exercício só perde entre 30% a 40% do peso que gostaria. Quem levou a cabo estes estudos afirmam que a grande maioria das pessoas compensa as calorias utilizadas, comendo mais, mexendo-se menos entre dias de exercício, ou ambos. O metabolismo em repouso também diminui, se somente perdermos peso. E isto atira-nos de volta para um balanço calórico positivo, também conhecido por aumento de peso.

Não está, no entanto, muito claro se estas pessoas tendem a mexer-se menos, ou a comer mais, como forma de compensação, fatores que são muito importantes, porque para evitar esta compensação, é necessário saber como é que ela está a ser feita.

Portanto, para um novo estudo publicado há um par de anos no American Journal of Clinical Nutrition, os investigadores recrutaram 171 pessoas sedentárias entre os 18 e 65 anos, mediram cintura e taxa de metabolismo em repouso, etc, a quantidade de alimento ingerido e gastos calóricos, incentivando uns a praticar exercício físico supervisionado 3 vezes por semana, enquanto que outros levavam a sua vidinha do costume.

As rotinas duraram 6 meses e os voluntários podiam comer o que quisessem. No final, de volta ao laboratório, como seria de esperar, o grupo de controlo (o da vidinha do costume) não alterou muito nem o peso, nem a taxa metabólica em repouso. Mas a maior parte das pessoas que faziam parte do grupo que praticou exercício também não! Alguns tiraram algum peso, sim, mas cerca de 2 terços perderam menos peso do que estavam à espera, ou quase nenhum. Porquê? Não porque se mexeram menos, mas porque compensaram as calorias "queimadas".

Os voluntários praticantes de exercício regular começaram de facto a comer mais do que os outros, pouco, mas o suficiente para prejudicar a perda de peso que queriam obter. Interessante foi verificar também que este grupo de pessoas, foram as que disseram nos questionários do início do estudo que ter bons hábitos de alimentação lhes daria oportunidade para de vez em quando cometer alguns "pecados da gula".

De facto, estas pessoas sentiram que não estavam a fazer muito mal se de vez em quando tivessem esses comportamentos menos saudáveis, como por exemplo, "Hoje fui correr, mereço comer este croissant com Nutella." Como consequência, não perderam quase peso nenhum com o exercício.

No lado oposto, os voluntários que conseguiram evitar aqueles biscoitos ou uma mão cheia de guloseimas, foram os que de facto conseguiram perder mais peso.

Assim sendo, é um facto que as pessoas que querem MESMO perder peso com o exercício, têm que prestar muita atenção ao que comem. É o que se chama "fechar a boca!"

Fonte: NY Times