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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Seg | 10.12.12

Uma maratona de amigos

José Guimarães
  Ontem foi o dia da 27ª Maratona de Lisboa. Como a Susana disse no seu perfil do Facebook: "desenganem-se os que dizem que a corrida é um desporto solitário". Ontem foi dia de correr no meio de amigos, conhecidos e outros tantos que nunca havia visto, mas que, entre transpirações, respirações ofegantes e dentes cerrados na luta contra as pernas que, com o passar dos quilómetros se transformam em chumbo, ainda têm espaço para soltar um sorriso por partilhar aquelas horas de luta em prol de algo maior: um objetivo! desedentarioamaratonista-maratona-de-lisboa-portico O dia amanheceu bem cedo. Para ir correr, claro, mas não a Maratona. Onde, então? Na Maratona! Confusos? Passo a explicar: Por um lado tinha no plano de treinos de domingo de manhã 15 km de corrida para fazer. Por outro, como ia haver a prova da Maratona de Lisboa, a vontade de partilhar quilómetros era enorme. Já sabia que se não participasse ia ficar irrequieto... mas como já não daria para participar, pelo menos tinha de ir aplaudir os atletas. Mas mesmo com isso parece que os sapatos ganham vida própria e não conseguem resistir ao impulso de me fazer juntar à festa. Posto isto, como não daria para correr os 42 km, optei por ir "apanhar" uns amigos no ponto de retorno entre Belém e Algés. Equipado para correr e acompanhado pelos fotógrafos de serviço Inês e Filipe, fomos até ao local planeado aplaudir os atletas que aí passavam e tirar algumas das fotos que já estão disponíveis no Facebook. Foi aí mesmo que comecei a acompanhar o Pedro Quina, com quem corri durante alguns quilómetros. Já depois de termos feito o retorno em Algés e de irmos em direção a Lisboa, apareceu a Susana com uma certa expressão zangada no rosto... Bom, a situação agora era: ou acompanhava o Pedro até ao fim, que - melhor ou pior - estava em condições de lá chegar, ou acompanhava a Susana, que estava em condições de ficar por ali mesmo. A Susana vinha de umas semanas "pós-maratona de Amesterdão" sem treinar e com algumas queixas na perna direita, pelo que voltei novamente em direção a Algés. Daí até ao fim não sei quanto tempo demorámos, mas entre conversa, música, gargalhadas e algumas (muitas) ultrapassagens, quer-me parecer que chegar ao final da prova não demorou (mas custou) assim tanto quanto isso (venha ela aqui comentar o contrário). Não me vou alongar muito com este post, porque é mesmo aqui que me quero focar: quem nunca experimentou aquela sensação de velocidade repentina quando, mesmo estando cansados e com as pernas a pesar como chumbo, ultrapassam alguém mais lento e, de repente, parece que ganham velocidade vinda não sei de onde? Tudo bem que até podem abrandar 10 metros mais à frente. Mas naquele instante da ultrapassagem não nos sentimos mais leves e com mais força? De onde aparece isso então? A minha opinião é que está tudo na forma como encaramos o momento. E o momento pode ser duro e ser encarado como tal ou, se mudarmos de perspectiva, o momento pode ser como quando me virava para a Susana e lhe dizia (já só faltam 4 kms... 3kms...). E aí até parecia que a Av. Almirante Reis mudava de desnível e ficou a descer até à Praça do Areeiro! É assim a corrida, pois é. Não tem segredos... trata-se de experimentar e deixar o "bichinho" entrar em nós. Mas cuidado, porque quando pega não dá mais para largar. E quem não corre, mas até gostava de o fazer, sugiro que faça como a Susana sugeriu e acrescente o objetivo à lista de desejos para o dia 31 deste mês. Está quase...