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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

14.Ago.13

Uma etapa da Volta

Há alguns dias atrás emprestaram-me uma bicicleta. Ter uma bicicleta é essencial para alguém que treina para certos desportos como, por exemplo, o triatlo. No entanto, as bicicletas custam dinheiro e, como para já não tenho grandes possibilidades para comprar uma, dedico-me à emprestada. Que (diga-se em abono da verdade) caiu do céu, já que me permitiu concretizar algumas coisas pelas quais eu tanto ansiava. Uma delas aconteceu ontem, embora de uma forma um tanto ou quanto inesperada: participar na 7ª Etapa da Volta a Portugal em Bicicleta. Obrigado desde já à DietSport pela oportunidade e ao Miguel da RBikes pela bicicleta. Afinadíssima por sinal!

Porquê isto da bicicleta?

Ter uma bicicleta nas mãos (debaixo do rabo, entre as pernas, decidam vocês) permitiu-me concretizar algumas coisas que sempre quis fazer quando tivesse uma: Uma dessas coisas foi finalmente poder ir de bicicleta para o trabalho. É saudável, ecológico, económico... e se querem saber mais, leiam o que escrevi sobre isso há alguns dias neste post. Outra das coisas que ter uma bicicleta me permitiu fazer foi passear (claro está, de bicicleta!). Passear de bicicleta é quase tão bom ou melhor do que passear de moto! E isto é uma afirmação que, para alguém como eu que sempre gostou de motos, custa um pouco fazer. Mas creio que faz parte de um processo de evolução, já que a ligação com as coisas mais naturais e menos movidas a fontes de energia externas tem andado na ordem do dia, como já devem ter reparado. Finalmente, ter uma bicicleta também me permitiu dar um complemento único aos meus treinos de corrida. E isto de poder aliar os treinos a uns valentes passeios (tão fartinho que eu estava das bicicletas estáticas do ginásio, ufff!!!) permite-me também fazer o que eu mais gosto, que é conviver. Tenho muitos amigos que se fartam de passear de bicicleta para todo o lado, incluindo a minha irmã, que todos os dias me mói a cabeça para eu arranjar uma bicicleta e ir dar umas voltas com ela. Simplesmente só por isto podem calcular o quão feliz fiquei por finalmente poder concretizar este desejo. Por exemplo, neste último domingo, o passeio juntou-me a ela e a mais três grandes amigos que, entre gargalhadas e suores frios, retas e subidas sem fim na serra de Montejunto, lá chegaram a casa com mais de 100 km nos pedais cada um. E ontem (como tinha uma bicicleta) pude fazer um gostinho especial ao "dedo", ou melhor, ao pedal: fui participar na 7ª Etapa da Volta... sim, da Volta a Portugal em Bicicleta.

A 7ª Etapa da Volta

Graças a um concurso da DietSport, fui contemplado com uma inscrição para ir fazer a 7ª Etapa da Volta. A Etapa da Volta é um evento organizado no dia de descanso dos atletas da Volta a Portugal em Bicicleta e tem lugar em Oliveira do Bairro, perto da Mealhada (sim, já sei o que estão a pensar...). A etapa tem 66 km de extensão e desenrola-se em 3 voltas, com 2 passagens pela meta: a primeira volta tem cerca de 40 km, a segunda e a terceira têm 13 km cada, sendo a última feita em ritmo livre, mais conhecido por "sempre a dar gás!!!". Para alguém como eu que nem está habituado a grandes multidões em duas rodas, nem mesmo a aplicar práticas como "andar na roda", digo-vos que fiquei fã! Antes de mais foram cerca de 800 participantes a alinhar na partida. Nestas condições, esperar começar a pedalar depois de ouvir o tiro de partida puxa pela ansiedade pura. Enquanto nas corridas (a pé) conseguimos pelo menos andar, ali ninguém se consegue mexer, nem para um lado, nem para o outro. O início da prova (também tem dorsais e classificações) é bastante sereno, sendo os 40 km da primeira volta percorridos com um carro da organização na frente, a ditar a velocidade máxima, mantendo o grupo o mais coeso possível. Com isto, o espetáculo é maior, o apoio da multidão também e... e infelizmente os toques acidentais e consequentes quedas também. É muita gente para se conseguir evitar. Felizmente que todas as quedas que vi, nenhuma ocorreu com muita velocidade, pelo que não houve consequências de maior, tirando uma ou outra esfoladela. E é impossível nesta fase andar depressa, mesmo que se queira. Os inúmeros "wooohhhhhh!!!" à chegada a um troço de estrada mais estrangulado, alguma lomba ou passagem mais perigosa, mete de repente todos em alerta máximo e os dedos atentos a acionar os travões. Uma nota interessante que não posso deixar de assinalar reside no algum paralelismo entre esta malta das duas rodas e o pessoal dos trails, já que a boa disposição é uma constante, a ajuda ao próximo também (deu para ver algumas paragens para ajudar um ou outro ciclista em apuros) e enquanto há fôlego há sempre piadas e conversa mais ou menos técnica para distrair. Claro que isto só acontece na primeira volta, enquanto a velocidade é baixa e ninguém pensa em se chegar mais à frente, porque no final... Bom, o final... o final é alucinante! A última volta da prova faz-se em ritmo livre. Isto quer dizer que o carro sai da frente do pelotão, deixando cada um por si, para fazer os últimos 13 kms ao ritmo que desejar. E quem gosta de soltar "os cavalos" e correr num trilho como se não houvesse amanhã, gostará também de um bocadinho de ciclismo a este nível! É incrível o efeito que a adrenalina faz quando toma conta de cada um dos nossos músculos e os coloca a trabalhar em uníssono, dentro desta fantástica máquina que é o nosso corpo. Pedalar e sentirmo-nos transmitir toda a nossa força para os pedais, daí para a corrente, depois para a roda e soltá-la no asfalto é uma sensação que só quem experimenta conhece. Colar a nossa roda da frente ao lado da roda traseira do outro ciclista, tendo atenção aos movimentos bruscos (dos outros mas também os nossos) para não causar nenhum acidente... entrar no ritmo do grupo, brincar à "rodinha bota fora" e ir alternando a vez de se fazer força e puxar pelos outros, protegendo-os do atrito da deslocação do ar... gerir as descidas, fazer força nas subidas... nunca senti tanto a máxima "primeiro estranha-se, depois entranha-se"! E quando chegamos ao estado em que a bicicleta e o nosso corpo existem como se fizessem parte de um só, então aí podemos começar a tirar o melhor partido desta dupla! Para os mais curiosos, aqui está fica o percurso e as estatísticas.

diploma-etapa-da-volta-a-portugal-2013Novamente os objetivos

Nesta vida que levamos procuramos sempre concretizar aquelas coisas que um dia gostaríamos de fazer. Aquelas coisas que sempre desejámos, mas que nem sempre trazemos à luz do dia. E que por vezes são tão simples de concretizar... passando simplesmente à ação! Nas corridas, uma das primeiras coisas que meti na cabeça que queria fazer foi uma maratona... treinei para isso e 6 meses depois atingi esse objetivo! Depois vieram os trails e as ultra-maratonas... e os primeiros 50 km, os primeiros 100 km (mal sucedidos na primeira abordagem) e as primeiras 100 milhas (166 km). Este ano quis ir à ilha da Madeira e fui. E para o ano que vem, se a sorte me bafejar no sorteio de Janeiro, haverá o UTMB! Mas também terei os triatlos em vista (daí a bicicleta!), uns curtos, uns longos, o Ironman... e umas caminhadas e outros passeios de sonho! Entretanto com a chegada da bicicleta, avizinham-se outras aventuras... e irei mantê-la tanto quanto possível como parte integrante dos meus treinos, pois já percebi que só tenho a ganhar com isso, não só na força de pernas, como de cabeça também. E quem sabe o que o futuro me reserva? Não interessa. Tal como esta etapa, tenho a certeza que o que mais vier virá por bem. Estou cada vez mais convicto que (como diz o Kilian) a nossa vida não é algo que temos de preservar, mas sim usufruir ao máximo! E se nesse caminho sofremos mazelas, isso só pode ser sinal que estamos a fazê-lo. Seja a correr, a caminhar, de bicicleta ou mesmo com uma prancha de surf, o importante é que aproveitemos ao máximo o que dela podemos aproveitar. Façam planos, não desculpas! E sorriam quando partirem à conquista do vosso sonho.  

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