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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

30.Jul.12

UltraMaratona Pro Runner: correr em família

Muito se escreve sobre os prós e contras de correr. Esta actividade física - aparentemente tão simples - tem incontestavelmente alguma coisa que a todos atrai. Quanto mais não seja a curiosidade daqueles que, do lado de quem não corre, ficam boquiabertos e riem (mas creio que nunca com desdém) com as notícias sobre quem corre rápido como o vento, ou percorre ultramaratonas em distâncias de dezenas ou centenas de quilómetros. Mas correr é, muitas vezes, algo mais do que o acto de calçar uns ténis e fazermo-nos à estrada em passo acelerado. Correr também é trabalhar, lutar, passar por sucessos e fracassos, por muita força vontade e pela completa falta dela. Tal como no nosso dia-a-dia, correr passa muitas vezes por sabermos o que queremos fazer da vida e trabalharmos com esse objectivo na cabeça e no coração. E quando ainda não sabemos o que queremos fazer, nada melhor do que experimentar até descobrir. ultra-maratona-pro-runner-tshirt A maior parte dos artigos que aqui tenho escrito até hoje tem sido inspirada ora em blogs e histórias de pessoas conhecidas, ora em artigos que vejo noutras publicações e que decido partilhar com quem segue este website, normalmente contextualizados em qualquer tema que diga respeito ao desporto, por forma a que sirva de ferramenta com alguma utilidade para uma determinada situação. Também os acontecimentos do dia-a-dia, seja em treinos ou em provas servem de inspiração para escrever algumas linhas sempre que posso. É por isso provável que, depois deste fim de semana, alguma coisa vá mudar. Não que vá deixar de escrever, ou que vá fazê-lo com algum intuito que não seja o que sempre me levou a escrever desde a criação deste site: a partilha com vista à motivação dos outros, ou o meu encontrado "sentido da vida". Mas os acontecimentos das últimas duas semanas e que levaram à minha participação na I Ultra Maratona de Portugal PRO RUNNER, em tudo contribuíram para que eu fosse capaz de definir ainda mais aquele ponto de focagem que referi no primeiro parágrafo deste artigo. Quero com isto dizer que, os próximos posts cujo conteúdo esteja directamente relacionado com a minha actividade enquanto praticante de desporto, talvez (e assim espero que seja) comecem a seguir uma linha cada vez mais definida. E talvez os seguidores mais atentos comecem a perceber - quem sabe até melhor do que eu - onde é que isto tudo irá dar no futuro.

Os treinos e o ginásio

Antes do grande amigo Daniel Júnior regressar a Curutiba, já se falava entre nós do nome do Antônio Nascimento. Visto por muitos como um super-atleta, este nome não passou despercebido aos mais atentos às notícias do mundo do desporto, já que não é todos os dias que temos em Portugal um atleta convidado para participar no Ultraman, uma "ultra prova" que irá decorrer em Setembro no País de Gales e que se assemelha a um triatlo, mas com distâncias aumentadas para: 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida (por esta ordem). O meu interesse em conhecer o Antônio residia no facto que, mais tarde ou mais cedo, se queremos ter algum tipo de evolução, precisarmos de ser acompanhados/treinados por quem perceba a sério da modalidade onde nos inserimos, correndo o risco de, se não o fizermos, não conseguirmos atingir tão cedo e em boas condições a tão desejada evolução. Recordo o exemplo do último caso de satisfação que pude acompanhar (mesmo que só online), do amigo Nelson Barreiros que, depois de ter saído do Trail do Almonda com aquele sentimento de "eu podia ter feito melhor" decidiu regressar ao centro de treinos do Mundo da Corrida, sendo agora um atleta satisfeito, treinando não só adequadamente mas com um sentimento de satisfação pleno (corrige-me Nelson se estiver errado). É portanto muito importante termos não só quem nos treine adequadamente, como nos entenda e seja capaz de nos motivar. E foi na companhia do amigo e companheiro de corridas Luís Trindade que aderi ao treino do Antônio Nascimento, percebendo na pele que tanto a sua "ultra personalidade" como toda a equipa da Hand 2 Hand me poderiam trazer o benefício que eu necessitava para chegar mais longe. O resto dependerá "só" do que eu quiser fazer e do trabalho que eu estou disposto a fazer.

Uma UltraMaratona de 600 km em Portugal?

As duas semanas de treino que tive com o Antônio e a Meire na Academia já serviram para duas coisas que considero essenciais: primeiro serviram para treinar, sentir nos músculos as minhas principais virtudes e fraquezas. Depois serviram também para me sentir "em casa", fazendo aquilo que gosto de fazer e num ambiente onde me integrei totalmente e sem qualquer dificuldade. E duas semanas depois de ter começado a treinar no clube, tive o prazer de fazer parte da equipa que participou no projecto da I Ultra Maratona de Portugal PRO RUNNER, com 600 km. Passo a explicar por partes:

O que é a PRO RUNNER?

A PRO RUNNER é a primeira loja em Portugal especializada e inteiramente dedicada à corrida, nas suas várias vertentes: estrada, pista, triatlo, trail running, etc. A loja, com cerca de 600 m2 é um projecto inovador e contou na sua inauguração com a presença de inúmeros atletas (vejam aqui algumas fotos). Além de ter produtos de desporto de marcas conceituadas, a loja inclui ainda um espaço lounge para os seus clientes, um serviço de apoio técnico na escolha dos produtos e ainda um centro de treino de corrida, onde os cliente poderão ter aulas ou apenas depositar o seu equipamento enquanto se dedicam à corrida, no exterior.

A ultra maratona PRO RUNNER

Para celebrar a inauguração deste projecto, os seus promotores organizaram aquela que foi a primeira Ultra Maratona de Portugal PRO RUNNER, na qual eu tive o privilégio de participar. O projecto consistiu em duas equipas cujo objectivo seria correrem em conjunto 600 km (300 km para cada uma), partindo uma de Vila Nova de Gaia e outra de Portimão, por forma a chegarem à loja PRO RUNNER (no Parque das Nações, em Lisboa) no Domingo, pelas 16h00. A hora da partida foi dada em simultâneo às 09h00 de sábado, dia 27 de Julho. ultra-maratona-pro-runner-jose-pedro-ruaJá aqui escrevi várias vezes que um dos prazeres em se correr uma ultra maratona consiste no facto de, ao início, ser praticamente impossível prever como as coisas vão decorrer: se vamos correr de forma fluída ou não, se o corpo vai colaborar ou - pelo contrário - ter dores e cãibras, se vamos sofrer alguma entorse, se a suplementação energética vai ser adequada, ou até se a alimentação que se teve nos últimos dias nos vai ser benéfica ou, pelo contrário, nos vai trazer problemas impossíveis de controlar. E mais: quanto mais longa é, mais importante se torna gerir tudo o que se faz durante a corrida, porque de facto muita coisa pode acontecer. E esta ultra de 31 horas não foi excepção. Mesmo não relatando em pormenor tudo o que aconteceu (porque seria humanamente impossível escrevê-lo sem ser em vários e extensos capítulos), ficará um ou outro acontecimento guardado na memória para exemplificar ocorrências (e artigos) futuras, até porque tudo é experiência adquirida e a "bagagem" - essa - serve sempre de aprendizagem para outras ocasiões. O ponto que gostaria de deixar bem patente neste post tem a ver, mais do que com a corrida em si, com a partilha que os participantes nesta aventura de dois dias tiveram o prazer de viver. E a partilha tem a ver não só com a corrida (tantas vezes solitária e só acompanhada pelo manto estrelado que nos cobria, enquanto se desbrava o asfalto rumo ao objectivo), mas com os sorrisos de quem, mesmo sem muitas palavras, recorda, já com a saudade no abraço final, o esforço daqueles inicialmente desconhecidos, que consigo "treparam" serras debaixo de mais de 30º de calor, passaram pelas agonias das dores de bolhas nos pés, se superaram porque correram melhor do que estavam à espera, partilharam a sua água para matar a sede ao amigo, procuraram farmácias para curar mazelas, contaram piadas para não adormecer...

Para quê todo este trabalho então?

pro-runner-cartazCorrer é, como dizia no início deste artigo, muito mais do que calçar os ténis e partir. Talvez se correr se resumisse a isto, provavelmente hoje não correria e ainda não entenderia o que li naquele cartaz na montra da loja PRO RUNNER e que diz assim: "As pessoas costumam perguntar-me porque é que corro. O que eu respondo é: se ainda tens que perguntar, nunca irás compreender". Já durante este meu curto percurso enquanto apaixonado e "descobridor" do que é - de facto - correr, encontrei algumas pessoas que me fazem sentir bem neste mundo. Não só no da corrida (até porque muitas vezes corro sozinho e - confesso - gosto de correr sozinho), mas também antes, durante e depois de ser um corredor (se é que me posso considerar tal coisa). Talvez por ter encontrado este grupo onde estão o Antônio e a Meire, por estar a trabalhar com o Luís por algo maior, talvez agora eu sinta que fazem ainda mais sentido os treinos de madrugada, os músculos doridos ou as horas dedicadas aos treino em que não estamos com aqueles que mais gostamos, seja família, namorada(o) ou amigos. Mas que tudo isto que façamos tenha sentido e nos (vos) traga conteúdo para a vossa vida, não só enquanto atletas mas - e principalmente - Seres humanos. No blog "Tudo é possível!!" está uma frase que gostaria de partilhar e que traduz muito do que aqui escrevi: "Através de três métodos podemos aprender a sabedoria: primeiro, por reflexão, que é mais nobre, o segundo, por imitação, que é mais fácil, e terceiro, por experiência, que é a mais dolorosa." - Confúcio Fica a partilha...

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