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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Qui | 08.11.12

Pode-se correr com uma constipação ou não?

José Guimarães
Era (quase) inevitável! Com tanta gente a tossir e a espirrar, ontem foi a minha vez: acordei com uma grande constipação. Desde que comecei a correr que não adoecia, nem uma gripe, nem uma constipação, nada. Tirando os altos e baixos da imunidade depois de algumas corridas mais duras, foram quase 2 anos "limpo". Desta vez tinha que aparecer na semana anterior à minha última prova do ano. Raios... correr-constipado Vamos a factos: o UTAX corre-se já no sábado de manhã. A constipação apareceu ontem. Desde 3ª feira que não faço qualquer exercício. Já ando alimentado a Actifed e uma dose extra de Vitamina C. Hoje estou um bocado melhor, mas o nariz pinga e os olhos choram.

Então, posso correr com uma constipação ou não?

Andei a pesquisar na net sobre se se pode ou não correr com uma constipação. Muitas vezes os sintomas não são suficientes para nos deixar na cama e impedir-nos de ir trabalhar ou ir correr. O exercício até nos pode trazer alguma melhoria mental e física mas, quando nos sentimos adoentados, há alturas que mais vale ficar mesmo em casa, ou corremos o risco de fazer mais mal do que bem. Um estudo feito numa universidade norte-americana e aparentemente suportado por outros estudiosos na matéria, utiliza aquilo a que se chama da "regra do pescoço". Se os sintomas são do pescoço para baixo (ardor no peito, dores no corpo, tosse intensa, vómitos, diarreia, etc), os conselhos são para não se correr de todo. Se os sintomas são do pescoço para cima (nariz que pinga, espirros, etc), então os riscos de correr não são assim tão elevados. No entanto, os médicos dizem que há uma linha muito ténue que separa o correr nestas condições e não correr de todo. Devemos portanto tomar todas as precauções quando corremos com algo mais do que uma ligeira constipação, já que pode escalar para algo mais grave, como uma infeção respiratória, ou uma sinusite. Os sintomas incluem nariz a pingar, tosse, dores de cabeça e pressão facial. Com todos estes sintomas, raramente alguém lhe apetece correr. Mas mesmo que apeteça, então deverá considerar a regra das 72 horas, ou seja, nada de treinos ou corridas por um período de 3 dias. Mesmo sem a presença de febres, algumas infeções, quando sobrecarregadas pelo exercício físico, podem mesmo causar pneumonia ou, em casos extremos, falhas respiratórias.

Essencial: controlar a temperatura

Se ainda tivermos dúvidas sobre se é seguro ou não correr em determinadas condições, outro conselho é ver a temperatura corporal. Se esta for superiora a 37,2º C não se deve mesmo correr. Algumas pessoas pensam que se pode eliminar uma febre simplesmente transpirando. Ora isto está errado. Correr não vai ajudar em nada o sistema imunitário a combater uma febre. Correr com temperatura elevada só vai agravar os sintomas e pode mesmo levar a outras complicações. Durante o exercício, o nosso coração bombeia uma grande quantidade de sangue dos músculos para a pele, dissipando o calor que o corpo gera. Se temos uma febre, a temperatura irá aumentar ainda mais e o coração irá ser colocado debaixo de imenso esforço, por forma a impedir a temperatura de escalar desmesuradamente. Em alguns casos, isto pode produzir um batimento cardíaco irregular e outras complicações. Todos os corredores com febre devem portanto esperar até ao dia seguinte ao dos sintomas terem desaparecido para retomar as suas corridas de forma gradual.

Conhecer os limites

Ora como não tive sintomas de febre (tudo o que senti foram mesmo sintomas de constipação), qual será então a quantidade de corrida apropriada para correr, sem comprometer o sistema imunitário ao ponto de ficar mesmo doente? Aparentemente a linha de fronteira parece estar nos 100 km semanais. Estudos feitos a mais de 2.300 corredores que competiram na Maratona de Los Angeles concluíram que as possibilidades de adoecerem eram 6 vezes mais elevadas que o normal depois de correrem a maratona e aqueles que acumularam mais de 100 km de corrida nessa semana mais que duplicaram essas possibilidades de adoecerem. As doenças foram todas do tracto respiratório, incluindo sinusite.

E o UTAX?

Quanto a mim, ficarei hoje em repouso e sob medicação, para ver se os sintomas da constipação melhoram. Mesmo sem dores no corpo, o facto de estar constipado faz-me sentir inevitavelmente mais fraco e não estou a ver como correr 82 km assim. Mas tenho fé e sou paciente. Ontem, apesar de me sentir capaz, resisti à vontade de ir treinar para não correr o risco de piorar qualquer sintoma. Desta forma também não acumulei quilómetros semanais, mantendo o limite da semana abaixo dos 100 km. Assim, espero que o bom comportamento de hoje resulte na melhoria dos sintomas da constipação. E espero pelo dia de amanhã para saber em que condições vou à Lousã.  

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