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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Qua | 03.05.17

O que acontece ao corpo durante um Ironman

José Guimarães

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Foto: weszlo.com

 

O Ironman é uma das (só uma das) mais difíceis provas de endurance que existem. Para os melhores atletas, a prova dura cerca de 9 horas, sendo que, para a maioria dos participantes, prevê-se geralmente mais de 12 horas, carregadas de um grande desgaste físico e mental.

 

É muito frequente vermos desistências num Ironman, tal é a sua dureza. E claro que há muitas provas duras, como as ultra maratonas e os ultra-trails. Mas um Ironman torna-se particularmente agressivo, pois junta 3 modalidades (natação, ciclismo e corrida) numa só prova.

 

Se um triatlo já é duro, um Ironman não tem palavras. Há 3 anos completei o meu primeiro half ironman e, este ano, estou a meio do meu plano de treinos para finalizar o meu primeiro Ironman! Numa das muitas das pesquisas que eu faço na internet, encontrei um excelente artigo sobre como o corpo humano reage durante esta prova, que aqui partilho convosco. Espero que vos seja tão útil para vocês como foi para mim, para perceber então o que é que - fisiologicamente falando - está por detrás de tanta dificuldade física:

 

Dentro das mitocôndrias, as moléculas de glicose e triglicerídeos são processadas a um ritmo alucinante, produzindo gás carbónico, água e energia. O oxigénio penetra nas membranas das células musculares causando uma deterioração comparável ao envelhecimento de 20 anos em 10 segundos.

 

As alterações iniciam-se antes mesmo da partida. A ansiedade causada pela mera antecipação de uma prova deste calibre aumenta o fluxo sanguíneo, bem como o consumo de oxigénio e a libertação de hormonas, incluindo epinefrina (adrenalina), que ativam os músculos para a atividade.

 

Quando a prova começa, o estado bioquímico muda de acordo com a modalidade: natação, ciclismo ou corrida. Os maiores desafios fisiológicos são a regulação da temperatura corporal, desidratação, fornecimento de combustível, lesão muscular, a absorção de nutrientes e o processamento da fadiga cerebral.

 

Nos dias quentes, quase 3/4 da energia muscular produzida assume a forma de resíduos de calor que se acumulam nos músculos, causando danos graves. O corpo combate este aumento de temperatura transpirando mas, ainda assim, cria desaceleração e obriga-o a mexer-se mais devagar. "Entre os 10 a 20% da prova, a temperatura do núcleo aumenta de forma relativamente rápida", diz Jonathan Dugas, Ph.D., fisiologista na Universidade de Chicago. "Pode subir para 37,5 a 38,75º graus." Mas este mecanismo de autoproteção pode falhar se o cérebro se tornar mais quente. Quando isso acontece, o sistema nervoso central começa a funcionar mal e o atleta fica tonto, desorientado, sem coordenação, e pode entrar em colapso.

 

O atleta queima entre 6.000 a 10.000 kcal, provenientes de gorduras armazenadas no tecido adiposo e no tecido muscular, de glicogénio armazenado no fígado e músculos, dos aminoácidos libertados a partir da quebra de proteínas musculares e calorias ingeridas durante o evento, geralmente sob a forma de hidratos de carbono.

 

A meio da corrida (parte final da prova), o glicogénio muscular atinge níveis críticos nos gémeos, quadricípetes e isquiotibiais. A contribuição total de carbohidratos continua a cair e a gordura aumenta a oxidação. A incapacidade de fornecer energia suficiente para os músculos é uma das principais razões pelas quais os que não treinam para um Ironman não o conseguem completar. A resistência é limitada pela disponibilidade de glicogénio no fígado e nos músculos.

 

Alguns atletas demonstraram que, depois de terminar um Ironman, é possível uma perda de 2,5 kg de massa corporal total. Como também está estimado que os triatletas masculinos de um Ironman gastam cerca de 10.000 kcal por prova e ingerem cerca de 4.000 kcal, isto resulta num défice de energia de cerca de 6.000 kcal. Assim, a energia fornecida por ingestão nutre em cerca de 40% da energia total despendida, ficando mais de metade a cargo do combustível endógeno.

 

O stress do tecido muscular pode ser o maior desafio. Um vasto número de células musculares morrem ou são danificadas. A principal causa de lesão muscular é mecânica e causada principalmente pelas contrações musculares excêntricas.

 

A reta final de um Ironman

Quem já completou um Ironman, sabe que os últimos quilómetros são uma experiência única. O simples acto de levantar uma perna para dar o próximo passo é semelhante a executar um agachamento pesado. Uma pesquisa do Instituto Nacional do Desporto e Educação Física de Paris, confirma que o gasto energético de correr no final de um triatlo simples é significativamente maior do que apenas correr sem natação e ciclismo, agora imaginem num Ironman.

 

O pós-prova

São necessários alguns dias para o corpo recuperar. Estudos revelam que os bio-marcadores de lesão muscular e inflamação permanecem significativamente elevados durante quase três semanas. O sistema imunológico desempenha um papel importante na recuperação após o exercício exaustivo, mas ele próprio é dominado pelo stress da corrida. A função imunitária fica reduzida durante as 72 horas seguintes, aumentando consideravelmente a suscetibilidade do atleta para infeções virais e bacterianas. É comum o aparecimento de sintomas de depressão de humor nas semanas após um Ironman, conhecida como “post-race blues", provavelmente mais um sintoma da síndrome de overtraining, conhecido por perturbar os neurotransmissores cerebrais que influenciam o humor.

 

Factos positivos

Todos os triatletas sabem que a prática regular de massagens desportivas é um fator positivo diferenciador, quer na fase de preparação, quer na recuperação pós-evento. Os benefícios são muitos e variados importando realçar a sua eficácia na redução do período de recuperação muscular aos danos sofridos e na capacidade de melhoria da performance desportiva.

 

Fontes:

Texto da responsabilidade da Mass Body

Adaptado da publicação de Vive o Desporto

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