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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Sex | 21.11.14

O início ou o fim das "fitness bands"?

José Guimarães
Há já algum tempo que tenho vindo a ficar impressionado com a quantidade de relógios e pulseiras lançados no mercado do fitness que, agora sem aquela cinta incómoda à volta do peito, conseguem controlar os nossos batimentos cardíacos (e não só) enquanto praticamos exercício. De facto é fantástica a quantidade de informação em tempo real (e adicionalmente em diferido) que conseguimos obter a partir de um aparelho que já passa os dias no nosso pulso, constantemente a medir (quase) tudo o que fazemos. Mas no meio de tanto gadget, fica uma questão: será que um dia não vamos passar de "simples" curiosos, para ficar simplesmente cansados de olhar para os nossos próprios dados? Depois de ter assistido à entrada no mercado de aparelhos como o Nike FuelBand (ao que parece, este saiu tão rápido como entrou), Apple Watch, Google Glass, FitBit e, muito recentemente, o Samsung Gear, pergunto-me se estes aparelhos serão realmente úteis a médio e longo prazo, ou não passarão de brinquedos caros? O apelo de uma fitness band é óbvio. Servirá para responder a perguntas imediatas como: "Será que me estou a exercitar o suficiente para me manter em forma?". Mas o mais provável é que toda esta informação, com o passar do tempo se torne simplesmente aborrecida de seguir. Afinal de contas há um limite para a quantidade de vezes que partilhamos no Facebook a distância do nosso último treino de corrida, certo?

A minha experiência pessoal

Durante as 2 semanas em que usei o Samsung Gear (obrigado à Samsung Portugal pela oportunidade) fiquei entusiasmadíssimo com a quantidade de informações (e óbvias conclusões) novas que pude recolher sobre mim próprio. Percebi que tenho noites em que consigo dormir quase 8 horas quietinho e outras em que passo mais de 30% do meu tempo de sono a mexer-me. Não admira que às vezes acorde cansado! Mais interessante ainda foi o ter percebido que, na maior parte dos dias em que só há trabalho e não há desporto, não dou mais do que 2.000 ou 3.000 passos diários. Quando está estabelecido que 10.000 passos diários é a meta ideal para uma pessoa ser considerada activa e beneficiar de uma boa saúde cardiovascular (estudo publicado em 2004 no jornal científico Sports Medicine), esta minha média não me parece muito boa, logo, há mesmo que fazer um treininho, ou andar mais a pé num ou noutro trajeto. Além destes dados, o Samsung Gear permite-nos também registar atividade física como caminhada, corrida ou uma voltinha de bicicleta, bem como monitorizar a alimentação, calorias, peso, etc. No entanto, passado algum tempo, não posso deixar de pensar em algumas vozes mais críticas, quando falam de um limite curto para a utilização da tecnologia "wearable" (o que em português significará "que se veste", ou que se usa a tempo inteiro) por parte do mercado de massas. Claro que se estamos cansados, precisamos de dormir mais (ou melhor). Claro que a maior parte de nós tem que andar mais a pé do que normalmente faz. E se não vamos ao ginásio ou não nos exercitamos regularmente, não é um relógio inteligente que vai mudar esse facto (a não ser que venha com algum dispositivo incorporado que dê uns choques elétricos aos mais preguiçosos). A tecnologia "wearable" (desculpem mas não consigo encontrar uma palavra em português para isto) poderá ter a meu ver um grande futuro, por exemplo, no treino de atletas de elite. Existirão sempre desportistas mais ávidos por conseguir melhorar os seus recordes pessoais, ou treinadores pessoais a tentar ajudar os seus clientes a fazerem menos de 3 horas numa maratona. Mas se uma pessoa não estiver realmente comprometida com o seu estado físico (como - infelizmente - a maioria da população), porque razão é que deve usar uma pulseira para medir o número de passos diários, ou o número de horas de sono? Mas por outro lado, o que sentiriam se, ao se inscreverem num ginásio, recebessem uma fitness band, a qual iria permitir ao vosso treinador desenvolver um programa adaptado à vossa realidade diária? Neste caso já existiria um objetivo concreto para trabalhar e, desta forma, já saberiam por que razão estavam a recolher todas aquelas informações diárias (para o vosso treinador depois vos dizer exatamente o que precisam fazer para conquistar aquele tempo numa maratona). Apesar de, ao início, a sensação de acompanhar os nossos dados diários possa ser bastante apelativa e interessante, depois de tirarmos as nossas conclusões e adoptarmos novas rotinas, depressa isso se pode tornar numa tarefa cansativa e aborrecida e o aparelho cair no esquecimento. Por este motivo, este tipo de tecnologias poderá ter muito mais a ganhar se se virar principalmente para o mercado profissional dos ginásios e treinadores pessoais, para aí todas as partes envolvidas poderem tirar verdadeiros benefícios da informação recolhida. Isto não significa que estes equipamentos não sirvam as nossas necessidades enquanto desportistas amadores. Muito pelo contrário: as pessoas vão continuar a comprar fitness bands. Mas o que define a utilidade desta tecnologia está em constante evolução e, se as fitness bands (e outros gadgets semelhantes) quiserem ser apetecíveis a longo prazo, terão muito mais a ganhar se gerarem mais valor acrescentado para quem delas possa tirar partido, destacando-se assim das outras aplicações - simples e a maior parte gratuitas - que já existem para smartphones. Há por aqui algum personal trainer que queira partilhar a sua opinião sobre esta (e outras) tecnologias?