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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Seg | 08.01.18

Dicas para quando custa regressar aos treinos

José Guimarães

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Imagem: www.fitnessquotesimg.com/343391/just-run

 

Eu sei que custa. Custa e não é pouco. Estou a falar do regresso aos treinos, depois da temporada festiva que, tal como manda a tradição, terminou no dia de Reis. O Natal e a passagem de ano já lá vão e dou comigo a pensar quantos de vocês cumpriram as expectativas de treino durante este período. Sei que muitas pessoas - eu incluído - têm muita dificuldade em encontrar tempo disponível mesmo durante as férias para aquelas rotinas habituais. E o resultado é que, agora que vou regressando ao ginásio, cada vez que faço uma flexão parece que tenho mais 10 kg de peso!!!

 

Regressar ao trabalho, às aulas e - principalmente - retomar os treinos mais intensos de corrida e ginásio pode ser algo desgastante. Já aqui escrevi várias vezes sobre formas de aumentar a motivação para regressar às corridas após uma temporada sem treinar e esta é uma altura excelente para recuperar algumas dessas ideias, principalmente porque estamos num novo ano e muitos de nós já pensaram em novos objetivos, sejam eles correr os primeiros 10 km ou uma maratona completa.

 

Estratégias psicológicas para voltar aos treinos

 

Antes de mais, recomendo que eliminem qualquer tipo de sentimento de culpa que possam ter, por não terem cumprido a rotina ou o plano de treinos estipulado, ou até mesmo sobre alguns dos excessos alimentares típicos desta época. Culpa ou auto-punição só funciona se nos levar a tomar alguma ação concreta e produtiva. O que ajuda é pensarmos num plano concreto para retomar os treinos, nem que seja aquela rotina habitual de sair de casa para ir correr. Isto pode significar que, por exemplo, está na hora de procurar um parceiro de corridas. Fazer planos com um amigo torna a corrida mais eficiente, mais fácil e ajuda a sermos mais honestos para nós próprios.

 

Outro fator a ter em consideração é o tempo frio (e por vezes chuvoso) e as horas a que começa o dia e cai a noite. Nesta altura, ajuda se treinarmos num ginásio que tenha passadeiras. Treinar num ginásio traz algumas vantagens, como por exemplo o acesso a treinadores especializados, além de ser um ótimo lugar para conhecermos pessoas com gostos semelhantes (porque não o parceiro de corrida ideal?).

 

Outra coisa é fixar objetivos concretos e realistas. Se nos deixámos levar um pouco pelo "desleixo" das férias, provavelmente não nos será possível retomar os treinos no ponto onde os interrompemos. Voltem à rotina devagar e com calma, mesmo que durante a corrida se sintam tentados a experimentar os limites. Por exemplo, se normalmente correm 60 minutos seguidos, 5 vezes por semana, talvez seja melhor recomeçarem com 30 minutos de corrida na primeira semana. Temos que saber ouvir o nosso corpo e confiar no que ele nos "diz". Se estiverem constipados ou a recuperar de uma gripe, saibam esperar antes de retomar a corrida. E se se sentirem cansados, descansem.

 

Corro um certo risco de me tornar chato e repetitivo por estar sempre a falar de objetivos, mas para mim estes são de facto os grandes motivadores. Por exemplo, se nunca se aventuraram a participar numa corrida a sério, com dorsal e tudo, este pode ser o ano para tal. Ter um objetivo como participar numa corrida importante pode-nos dar aquilo que falta para termos mesmo que treinar e superar as dificuldades que surgem no caminho. E os objetivos funcionam bem quando são separados em objetivos a longo prazo, com metas a curto prazo. As metas a curto prazo devem ser facilmente atingíveis e devem ser as que nos permitem chegar ao grande objetivo final. Por exemplo, se já correm 5 km por dia e querem chegar aos 10 km, têm de ir aumentando a distância inicial gradualmente, ao longo de algumas semanas. Não esperem que tudo corra bem se começarem logo a correr 10 km de seguida. Sigam um plano de treinos adequado e vão ver que os resultados aparecem (e as lesões não).

 

Uma componente importante para atingir objetivos é algo a que frequentemente chamo de força de vontade. No entanto, a força de vontade também se consegue através de um bom planeamento.

 

Uma parte importante desta força de vontade vem das recompensas que podemos dar a nós próprios pelos nossos esforços. Isto porque está mais do que provado que as pessoas mantêm um comportamento, se este for de alguma forma recompensado. As recompensas podem ser tanto internas ou externas. As primeiras são para mim as melhores e envolvem coisas como palavras de apreciação, agradecimentos, etc. É a chamada auto-"palmadinha nas costas". Normalmente temos uma tendência a ser duros com nós próprios e negarmo-nos a algumas coisas que de facto gostaríamos de ouvir. Quanto estiverem a tentar chegar às metas ou objetivos, falem com vocês próprios da mesma forma que falariam a um amigo para o encorajar. As recompensas externas também ajudam, pois são coisas que gostaríamos de obter como forma de sermos recompensados por aquele treino mais duro no ginásio, por exemplo. Estou a falar de uma hora de sono a mais na manhã seguinte, de não ter que lavar a loiça daquele dia, ou de comprar algum artigo especial, como aquele novo par de ténis que (sim, agora!) tanto merecemos. Claro que estes tipos de recompensas dependem muitas vezes da questão financeira, mas até aqui podemos ser criativos e não depender de dinheiro. Peçam a alguém que vos faça algo que normalmente fazem a vós próprios (uma massagem?). Não devemos hesitar em envolver outras pessoas no nosso sistema de recompensas, tal como nos nossos objetivos de corrida.

 

Conclusão

 

Esta é a melhor altura para regressar à rotina... por muito que pareça custar. Deixem o sentimento de culpa de parte e envolvam os amigos e a família, para que também estes sintam que têm parte ativa para vos ajudar. Estabeleçam objetivos realistas e, acima de tudo, divirtam-se!  

Fonte: Washington Running Report

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