Como foi (e será para sempre) o meu primeiro Ironman

kmd ironman copenhaga de sedentário a maratonista

Existe no marketing uma máxima que, quando aplicada nas ocasiões certas (e nos tempos que correm são quase todas) resulta “que nem ginjas”. Diz-se keep it simple, o que, explicado de forma muito direta, quer dizer que, quando a tendência é querermos dizer tudo e mais alguma coisa, o melhor mesmo é simplificar e limitarmo-nos ao essencial. Apesar do muito que tenho para vos dizer e de tudo o que trouxe comigo de Copenhaga, esta é a melhor forma que tenho de vos relatar a experiência que foi fazer no passado domingo o meu primeiro Ironman.

A preparação para um Ironman

Claro que não poderia começar do Ironman sem falar do processo de treino. Para qualquer atleta de resistência, o treino é mais do que essencial para garantir que a prova corre conforme planeado. É onde começamos por delinear como queremos fazer a prova (mais lenta, mais rápida…) e, depois, se estabelece um plano de treinos adequado a esse objetivo.

Treinar para um Ironman foi dos processos mais completos, complexos e mais consumidores de tempo por que já passei. Primeiro, porque estamos a treinar para 3 modalidades diferentes: natação, ciclismo e corrida. Além disto (porque o corpo necessita de um desenvolvimento físico adequado à exigência das modalidades), convém complementar tudo com treino de ginásio. Depois, há que planear tudo com muita antecedência, para dar tempo ao tempo para que tudo se desenvolva dentro do esperado. Por último, quando o volume dos treinos aumenta, o tempo passado a treinar é tanto, que nas 24 horas de um dia é muito difícil conciliar treinos com o tempo que temos para trabalhar, estar com a família, descansar, enfim, ter uma vida normal.

Notem ainda que o plano de treinos compreende muitos dias com treinos bi-diários, ou seja, treina-se de manhã e novamente ao fim do dia, ou à noite. Passamos praticamente o tempo a procurar a melhor altura para encaixar treinos. Durante meses. E não há volta a dar. É mesmo cansativo. Diria mesmo que é a parte mais exigente do plano de treinos para um Ironman.

Mas claro que tudo isto tem um objetivo. E é aqui que gosto de fazer um certo paralelismo entre o exercício físico e o dia a dia de cada um de nós.

Se desejamos uma coisa, temos duas hipóteses: ou esperamos que ela aconteça, ou temos que trabalhar para a alcançar. Se queremos um emprego melhor, temos que lutar para o encontrar e conquistar. Se não estamos satisfeitos com alguma coisa, a única opção que temos é mudar. Se queremos correr 10km, uma maratona, um ultra trail ou um Ironman, só há uma solução: treinar para isso!

Foi o que fiz. Não posso dizer que fui tão rigoroso no cumprimento deste plano de treinos, como fui no cumprimento do plano de treinos para a minha primeira maratona. Além de, naquela altura, ter feito um treino praticamente só de corrida, também tinha mais tempo para treinar. Agora tenho que contar com o(s) trabalho(s), estudos e tempo para estar com a família, mas mesmo assim não me desviei muito do que tinha planeado e, sempre que possível, adaptava o plano às minhas possibilidades.

E quanto mais se aproximava a data da prova, mais os nervos aumentavam dentro de mim e maior era a ansiedade. Mas como sei como controlar a ansiedade antes de uma prova, sabia que tudo era causado por ir entrar num mundo até agora desconhecido para mim. Fora disso, sabia que fisicamente e psicologicamente estava preparado para o enfrentar.

3,8 km de natação

Um Ironman começa com a modalidade de natação. São 3,8 km que, no caso do KMD Ironman Copenhaga, iriam decorrer num lago ao lado da praia de Amager Strandpark, nos arredores da cidade.

Um dos meus receios era a temperatura da água, já que estava no norte da Europa e os meus treinos ou tiveram lugar na piscina (onde a água ronda os 28º/30º) ou na praia, durante as férias (com temperaturas entre os 22º/24º). Apesar do tempo frio daquela manhã, as previsões apontavam para uns agradáveis 18º de temperatura da água, pelo que lá dentro estaria mais quente do que cá fora.

Como a partida teria lugar por volta das 7h e pouco, tomei o pequeno almoço depois de acordar às 4h e por volta das 6h já estávamos no local, com tempo suficiente para acabar de preparar a minha bicicleta, certificar-me que estava tudo no saco de transição e que teria pelo menos uns 15 minutos para fazer um aquecimento dentro de água e tomar um gel antes de alinhar na partida.

Aqui comecei a tomar os primeiros contactos com a excelente organização que está envolvida numa prova deste tipo.

Apesar do percurso de natação ser só de 1 volta, seria praticamente impossível colocar os mais de 3.000 atletas a nadar em simultâneo, pelo que a partida foi do tipo “rolling start”. Quer dizer que cada grupo de atletas alinhava pela ordem de cores (nas toucas) correspondentes aos seus tempos previstos de natação (como se costuma fazer nas maratonas) e, de 6 em 6 segundos, saíam 6 atletas para a água. Isto criava uma dinâmica muito mais facilitada dentro de água, pois evitava muitos atropelamentos, cotoveladas, pontapés, típicos das molhadas características das provas de triatlo. Eu alinhei com a touca verde, correspondente ao grupo de tempo entre 1h15 e 1h25.

Dado o último beijo de despedida à minha mulher enregelada, encaminhei-me para uma das 6 as linhas de partida montadas na areia e aguardei o sinal sonoro: “pi, pi, pi, piiiiii”, partida!!! – “Comecei um Ironman”, pensava eu, enquanto sorria e dava as primeiras braçadas. E foi automático. Assim que comecei a nadar, passou todo aquele nervoso que me fazia tremer há poucos momentos antes.

A lagoa onde decorreu o percurso tinha uma particularidade que, a meu ver, facilitava a vertente psicológica de quem tem que nadar quase 4km: a profundidade era muito pouca e, como a água era muito limpa, via-se sempre o fundo a passar. Bem pior seria não ter qualquer ponto de referência. No entanto, as águas estavam pejadas de algas, que a cada braçada se entrelaçavam nos dedos das mãos, dos pés, nos ombros, nos óculos… às tantas eu já me ria, pois por 2 ou 3 vezes tive que sacudir as algas, pois já quase sentia o “lastro” que arrastava comigo.

Nunca um treino de natação me correu tão bem como este segmento da prova. Não há portanto muito a dizer sobre isto, além de que fiz tudo como previsto: começar um pouco mais acelerado, abrandar para um ritmo estável até ao fim, respirar bem (bilateral) e com calma, prestar muita atenção à técnica, para no final acelerar um pouco antes de sair da água. Correu tudo conforme previsto, com muitas ultrapassagens à mistura, sem nenhum incidente, sempre com muita atenção às bóias de marcação do percurso, de viragem… tudo bem gerido.

Saí da água com 1h14, nas calmas e sem tonturas, pelo que a opção seria fazer o resto da prova no mesmo registo: sem me meter em grandes aventuras.

180 km de ciclismo

Como tinha optado por fazer tudo nas calmas, demorei um pouco mais do que o previsto no T1 (Transição 1: da natação para a bicicleta).

Não quis começar este segmento com o equipamento molhado, pelo que, depois de sair da natação, optei por trocar na íntegra para o equipamento de ciclismo que estava no saco da transição. O tempo que aqui demorei, juntamente com o tempo que demorei a fazer o percurso até à bicicleta e, depois, levar esta até à saída do grande parque que aqui estava montado, poderia ter sido menor. Mas ali estava eu na minha primeira experiência num Ironman, portanto preferia sacrificar mais uns minutos e garantir que estava a fazer tudo bem, do que fazer tudo à pressa e correr o risco de me esquecer de alguma coisa importante.

E agora entrava num mundo mesmo desconhecido, pois nunca tinha feito antes 180 km em cima de uma bicicleta e ali estava eu a começar o segundo segmento do “meu” Ironman.

O segmento de ciclismo consistia em 2 voltas de cerca de 90km cada, sendo o regresso à cidade feito no final da segunda volta.

Aqui deu para perceber o bom que é andar de bicicleta em Copenhaga, com estradas em perfeitas condições, com ciclovias em todo o lado, tanto dentro da cidade como nos arredores. A juntar a isto, o percurso inicial feito de sul para norte começava com um amanhecer limpo e com poucas nuvens que, apesar de fresco, estava perfeito para pedalar. Antes assim do que com calor. O vento soprava ligeiramente de feição, o que ajudava a manter médias um pouco acima dos 30km/h. Já sabia que, quando mais a norte mudássemos de direção para o interior, teríamos vento de frente, o que, juntamente com o percurso mais acidentado do campo, iria estragar um pouco a média na segunda metade de cada volta. Por este motivo optei por pedalar um pouco mais forte no início, sem sentir a frequência cardíaca a aumentar acima do meu limite.

Consumindo cerca de 500ml de bebida energética em cada hora e meio gel de 30 e 30 minutos, nunca senti nenhuma falta de força, tendo só parado no 3º posto de abastecimento (aos 80km) para ir ao meu saco das “special needs” buscar as minhas saquetas de gel para a volta seguinte (uma coisa interessante que a organização permitiu fazer e que resulta muito bem, sem se perder muito tempo).

Na segunda volta, tudo mudou. O tal percurso junto ao mar que na primeira volta tinha sido feito com sol, bom tempo e médias bem acima dos 30km/h, estava agora sombrio, com muita chuva, vento lateral forte, pelo que foi difícil manter um bom ritmo. Além disto, como estava completamente encharcado e a levar com chuva e vento, arrefeci muito. Nunca me lembro de ter treinado na bicicleta com frio, muito menos com chuva, e ali estava eu, no meu primeiro Ironman, a pedalar à chuva e a tremer de frio, desejando que aquelas condições mudassem rapidamente, pois não tinha noção se me conseguiria manter naquelas condições durante muito tempo.

Felizmente o tempo na Dinamarca muda com muita facilidade. É impossível fazer previsões climatéricas com muita antecedência, pois numa hora pode estar sol e calor e na hora seguinte estar a chover (foi o caso nesse dia). Já depois de rumarmos ao interior, na tal estrada de campo, sinuosa e com altimetria (coisa rara nestas paragens), a chuva parou e o sol começou a despontar. E apesar de ter tido um efeito muito revigorante, percebi que já me tinha esforçado mais que o previsto durante as horas de chuva. A solução? Come mais Zé!

Feita uma nova paragem no tal abastecimento próximo do final da 2ª volta, durante o tempo suficiente para um WC e pegar no último gel que me restava, rumei até Copenhaga, agora já num ritmo mais forte, reabastecido e retemperado, já a pensar no que me restava fazer para concluir este objetivo.

A chegada à zona final do ciclismo é feita já lado a lado com o percurso de corrida, o que já nos faz começar a mudar o “chip” para o que virá a seguir.

Pormenor que me arrancou um sorriso e me deu energia para relevar tudo para segundo plano, foi a claque mesmo à entrada da rampa para a zona de transição 2 (T2), a gritar por mim e que, vos garanto, faz toda a diferença perante a dureza destas provas.

42 km de corrida

A transição para a corrida fez-se de forma muito pacífica, tendo aqui demorado 6 minutos desde entregar da bicicleta ao staff, apanhar o meu saco com o equipamento de corrida, calçar-me e sair para a rua novamente. Claro que antes: WC!!!

Confesso que a modalidade de corrida foi o que menos treinei durante todo o plano de treinos. Talvez um pouco confiante demais perante todo o meu percurso de corredor dos últimos anos, optei por, na falta de tempo para treinar, descurar mais esta modalidade e privilegiar a natação e o ciclismo. Mesmo assim, com alguns problemas à mistura, tudo correu mais ou menos dentro do que tinha estabelecido inicialmente.

Já sabia à partida que a maratona não iria ser uma coisa rápida. Este segmento da prova consistia em 4,5 voltas de corrida, num percurso de cerca de 10km, feitos em plena cidade, junto à água. Aqui sim, tinha métricas para comparar, pelo que estava a apontar fazer umas 4 horas, o que daria tempo de relaxar nos postos de abastecimento e correr tudo ligeiramente abaixo dos 6min/km.

Mas o que aconteceu foi que, com mais ou menos 15km feitos, comecei a sentir-me enjoado. O estômago começou a rejeitar o gel, as bebidas energéticas, não me deixando fazer uma nutrição adequada. Nestes momentos temos que saber gerir a coisa com o que temos, pois corre-se o risco de não conseguir comer nada e, aí sim, poder ter que desistir antecipadamente, que era coisa que eu não queria.

Tendo começado a correr a cerca de 5:30min/km, quando me comecei a sentir enjoado optei por correr mais devagar, a cerca de 6min/km, para me poupar e poder ter mais atenção ao que comia. Desta forma, mais devagar e levado praticamente a Coca-Cola e a bolachas de água e sal, consegui gerir o resto da prova, acompanhado ainda pela minha incansável família, amigos e todo o público em geral, bem como pelas 2 claques portuguesas que encontrei ao longo do percurso de 4 voltas pelas ruas da cidade.

É importante conhecer o nosso corpo, saber como ele reage perante certas condições e o que é que podemos fazer para que ele responda como queremos. Garanto-vos que foi isso que me salvou este segmento e, aqui, valeu-me muito a experiência de pequenos problemas semelhantes que já tive noutras provas.

Mesmo assim, o pior aspeto do segmento de corrida desta prova é mesmo o fator psicológico. Quando entrei na corrida, ainda não tinha nenhuma pulseira no braço e já estava a ver pessoas com as 4 pulseiras enfiadas no braço. A organização dava uma pulseira de cor diferente, consoante o nrº de voltas concluídas. Garanto-vos que por momentos tentei perceber se estava no sítio certo, no momento certo, pois não via ninguém sem pulseiras no braço, só eu. E cada volta de 10km, feitas ainda por cima com uma “pedra” no estômago, custa a passar. Fazer uma volta, passar por um local qualquer, sabendo que ainda vamos ter que passar ali mais duas, três, quatro vezes… é doloroso. É de dar um nó na cabeça de qualquer um. O que vale é que o público nestas provas (ou será nestes locais?) são verdadeiros entusiastas, e ouvir dezenas e dezenas de vezes perfeitos desconhecidos gritar “GO RROSÉ!!! GO YOU CAN DO IT!!!” é de arrepiar até os mais insensíveis.

Assim, uma volta de cada vez, um posto de abastecimento de cada vez, os quilómetros vão passando, as horas também, até que chega a volta final. É aquele 1/4 da corrida em que tudo passa, em que já nos vemos a fazer aquela última curva e, em vez de continuar em frente, vamos finalmente poder virar à direita em direção ao pórtico. É aquela altura em que, mesmo com a carga de chuva que voltava a cair, agora em cima de atletas e público (muito sofrem os nossos acompanhantes nestas coisas), nada se sente a não ser o prazer que é chegar ao fim de algo para o qual trabalhámos tanto e nos esforçámos tanto e, finalmente, podemos colher os seus frutos.

Conclusões do meu primeiro Ironman

Como disse no título deste post, este foi o meu primeiro Ironman, mas mais do que isso, ficará gravado para sempre na minha memória como o meu primeiro Ironman. Quero dizer com isto que, por muito que pudesse ter feito diferente, por muito que pudesse ter feito mais rápido ou melhor, o meu objetivo para com esta minha primeira participação num Ironman era mesmo perceber o que é que implica fazer uma prova deste nível.

O meu objetivo principal era, antes de mais, chegar ao fim. Claro que tinha uma noção das minhas capacidades, de médias, de tempos. E, como tal, fiz tudo dentro dessas capacidades, sem baixar a guarda, mas também sem elevar o nível acima do que estava habituado a fazer.

O mais importante para mim neste meu primeiro Ironman era, antes de mais, usufruir. Poder aprender e tirar conclusões, sem estragar a experiência com uma melhor posição, ou um melhor tempo. Porque, como sempre digo, no final, o que queremos é voltar para casa com um sorriso na cara, partilhar tudo com os que nos rodeiam e, secretamente, pensar qual será a próxima vez.

Contudo, por muitos quilómetros que façamos, por muitas maratonas que possamos correr, por muitos Ironmans que possamos concluir, estou certo que não há nenhum igual ao primeiro.

Aos “Ironfriends”

Tudo isto saiu como saiu. Mas saiu de mim e de muitos outros que, diretamente ou indiretamente estiveram sempre presentes. A todos os que me ajudaram neste percurso, a marcas como a Prozis, Skechers, TomTom, ao pessoal da Goall, à malta do COL, ao Filipe, a todos os que me aturaram com dúvidas e questões, aos meus amigos que (ainda não tinha contado isto) nos dias antes somaram a nadar, a correr e a pedalar a mesma distância que eu fiz no domingo (!!!), à família, mais próxima ou longínqua, não interessa, e muito em particular a todos os que estiveram durante aquelas 12 horas e meia a acompanhar toda a prova como podiam, mais aos que apanharam uma valente molha (e gripe) por estarem lá no local da prova até ao fim: estão para sempre no meu coração!

Para quem quiser ver mais detalhes sobre como foi a prova, basta clickar neste link do Movescount.

Foto: João Centeno

 

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Depois de longos anos sem praticar desporto, redescobri esta minha paixão pelo exercício físico em 2011 através da corrida. Na altura, quando treinava para conquistar a minha primeira maratona, criei o blog De Sedentário a Maratonista, para partilhar os meus progressos e dificuldades. Depois dessa meta atingida, descobri no trail running e nas ultra-maratonas uma paixão que nunca mais deixei e que ainda hoje me faz sonhar com novas e mais ousadas aventuras. Duas vezes "finisher" do UTMB - Ultra Trail du Mont Branc e com um Ironman na mira, esta é a minha forma de fazer chegar a mais pessoas o prazer que tenho por uma vida ativa e mais saudável, e de as motivar a, também elas, perseguirem os seus sonhos. Porque a motivação também se treina!

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