O triatlo e a sopa da pedra

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Há dias que pensava no Triatlo de Alpiarça. Sem grandes ansiedades. Mesmo assim, já se tinha passado algum tempo desde o último (e único) triatlo em que participei: foi em Junho de 2013, no Triatlo do Ambiente, em Oeiras. E se aquela foi uma experiência magnífica para um rookie, desta vez o Triatlo de Alpiarça – Miguel Jourdan estava marcado como o meu primeiro triatlo mais à séria. Afinal de contas, já se passaram mais uns meses de treino e supostamente a máquina já funcionaria melhor do que em Oeiras. Afinal, apesar de rookie, a minha touca este ano é vermelha: entrei nos veteranos (ai os quarenta a aproximarem-se!!!).

Mas como nem só de desporto vive uma pessoa, há muito que se falava por aqui no pós-triatlo, que nos serviria uma merecida recompensa típica daquelas paragens. Como vocês sabem (e eu já escrevi aqui antes), sou apologista da ideia que um grande esforço deverá ter uma merecida recompensa. Neste dia, o Triatlo de Alpiarça dar-nos-ia livre trânsito rumo a Almeirim e à sua famosa sopa da pedra.

Raios partam a ansiedade

Certo… somos rookies e cometemos erros. E o primeiro só me dei conta quando já estávamos de molho dentro de água, à espera do sinal de partida. Mas já lá irei.

Como em princípio o carro da família não daria para tamanha logística, fui de boleia com o Bruno e as nossas duas bicicletas, atafulhadas na mala do carro, no meio dos sacos com os fatos de natação e restante equipamento. A preparação para este evento não permitia esquecimentos, portanto era mais que garantido que estávamos prontos. Como o carro é pequeno, tivemos de retirar as rodas da frente das bicicletas para caber tudo dentro do carro. E à chegada, montar novamente as rodas, fazermo-nos à “barraquinha” da federação para ir buscar o dorsal, a tempo de deixar todo o material no parque de transição.

Este é um dos primeiros conselhos que deixo a qualquer praticante de triatlo (e não só): cheguem cedo às provas! Tentem mesmo chegar cedo demais. Tenham tempo para fazer tudo com calma, para ultrapassar eventuais atrasos sem stress e para poderem deixar as coisas devidamente arrumadas no parque de transição, com tempo de se equiparem e saltar para dentro de água para umas braçadas de aquecimento. Apesar de termos chegado somente meia hora antes da abertura do parque de transição, deu tempo para tudo. Mas até podia não ter dado. Felizmente correu tudo bem. E cheios de nervoso miudinho lá nos equipamos e mergulhámos na Barragem dos Patudos.

Estávamos na conversa com Paulo e outros atletas, enquanto aguardávamos autorização para alinhar junto às bóias, quando me lembrei :”Hey!!! Esqueci-me de colocar o seletor de velocidade da bicicleta na posição para sair a pedalar.” Sim, com as pressas tinha deixado a bicicleta na posição mais pesada, o que iria fazer com que as primeira pedaladas fossem para fazer ffffooorrrçççççaaaaa!!! Enfim… rookies!

Swim

Dada a ordem de partida, na água nada de novo. Tirando o facto de não se ver um palmo à frente do nariz dentro da água turva e verde da barragem, os habituais encontrões e alguns puxões nestas coisas de nadarmos mais de 300 pessoas à molhada… A solução aqui é tentar apontar o melhor possível à bóia e “filar” um ou outro nadador ao nosso lado que vejamos que está a fazer um percurso correto. A partir daí é concentrarmo-nos no nosso ritmo, tentando não gastar muitas energias.

À chegada ao parque de transição, não percebi bem o que me aconteceu mas saí relativamente bem da água, comecei a despir a parte de cima do fato (fazendo como o Vicente me tinha ensinado, de deixar a touca e os óculos dentro da manga do fato) e quando cheguei à bicicleta (onde o Bruno já estava) agachei-me para chegar às pernas. E quando me levantei é que foram elas… uma tontura que, se não me agarrasse à bicicleta, lá ia ele parar ao chão. Ufff!!! Passou… concentração… passos: tirar o fato e metê-lo no cesto, colocar capacete, óculos e dorsal, agarrar na bicicleta e sair para a segunda modalidade: os vertiginosos 20 km de bicicleta.

Bike

Na bicicleta pouco há para dizer. Talvez que este início não tenha corrido tão bem quando no Triatlo do Ambiente. Sim, deixei os pedais presos com os elásticos, mas quando saltei não meti os pés bem nos sapatos e depois  demorei um pouco mais a calçá-los. Tirando isso, tudo tranquilo. Depois as sensações são monstruosas, mesmo que somente em 20 km. Passa tudo muito rápido. E pedalam todos muito rápido! Ora vejam o vídeo do Bruno Pais, feito com a GoPro montada na traseira da sua bicicleta:

Lembro-me que quando olhei a primeira vez para o conta quilómetros já tinha 8 km feitos e estava quase no final da primeira volta ao circuito. Este circuito é um pouco perigoso, pelo menos para mim que não estava habituado. Circula-se a maior parte do tempo dentro de Alpiarça, com estradas esburacadas e remendadas, por cima de tampas de esgoto e com a maior parte das curvas a fazerem-se a 90º! A mais pequena distração (com o piso e com os outros atletas) e pode-se dar um acidente! Felizmente tudo correu bem. Para mim e para todos, já que acho que não há relatos de nenhuma queda. O que é uma sorte, já que aqui o rookie quando montou a roda dianteira da bicicleta se esqueceu de voltar a apertar a patilha do travão da frente… eu bem me parecia que na primeira vez que travei notei que o curso da manete estava longo demais…

Run

Na última descida rumo ao parque de transição, graças aos rapidíssimos Lake que comprei já há uns meses na Rotapro (belíssimo aconselhamento Vitor e Pedro), o procedimento é o habitual: aproveitar o embalo para abrir os sapatos, descalçar e pedalar os últimos metros com os pés em cima deles, como se fossem pedais. Depois na entrada do parque, saltar para cima de um pedal e finalmente na linha de desmontagem saltar para o chão, aproveitando o embalo para correr parque adentro (sem tonturas, de preferência).

Chegada ao nosso posto, arruma-se a bicicleta, retira-se o capacete, calçam-se os sapatos e depois de dar um gole no isotónico, siga para a corrida!

Aqui foi a única vez que consegui travar contacto com a Inês, João e Carolina, que esperavam a minha saída bem junto ao pórtico… e que contacto! Um “high five” de tal maneira potente que mais um bocadinho tropeçava em mim próprio e ficava a ver o chão um pouco mais de perto. Um pouco à semelhança do “high five” que troquei com o Bruno a meio da corrida, ali mais ou menos a meio do percurso… de tal maneira potente que nos íamos virando ao contrário! Moral da história, nada de “high fives” potentes nas provas, ok?

O percurso da corrida era simples, mas dinâmico. Talvez dinâmico, já que a metade de cada circuito incluía um bocado em terra batida (na zona atrás da barragem) com uma descida/subida feita em modo de trail running, com as “redutoras” ligadas. Engraçado verificar o que os treinos nos trilhos nos dão de vantagem neste tipo de terrenos acidentados, face a outros atletas rapidíssimos em plano, mas a quem custa vencer declives mais acentuados.

E sendo um percurso de 5 km, também não há muito mais a acrescentar. Esta última modalidade dura muito pouco tempo e é sem dúvida onde me sinto muito à vontade. Sinto também os efeitos dos treinos de reforço muscular e de Pilates, que têm feito maravilhas, principalmente ao nível do core e da postura. Portanto trata-se de colocar no chão toda a potência que ainda nos resta e chegar ao fim o mais rapidamente possível! Dica importante: tentem correr bem. E por correr bem não digo correr às 3 pancadas!!! Digo correr alinhado, com consciência do que se faz, do corpo, da posição e movimento dos braços, de cada passada… esta consciencialização da forma como corremos (mas também como nadamos, como andamos de bicicleta, entre outras modalidades) faz toda a diferença na forma como chegamos ao fim para contar a história. Confiem em mim, que tenho aprendido muita coisa com todas as pessoas que tanto me têm ensinado nestes poucos anos de corridas.

Resultado final: José Guimarães – V1; H2H CLUB BETTER LIVING; 179º lugar da geral; 19º escalão; 01h12’39”… portanto, sinceramente Feliz!!!triatlo-de-alpiarca-miguel-jourdan-brunosafara-joseguimaraes-desedentarioamaratonista

Vejam aqui os resultados oficiais do site da Federação de Triatlo.

E a sopa da pedra?

Sim, depois fui comer sopa da pedra… e pronto, estava atribuída a recompensa! Agora tenho que ver que recompensa vou escolher para o próximo “tri-desafio“… têm sugestões?

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Depois de longos anos sem praticar desporto, redescobri esta minha paixão pelo exercício físico em 2011 através da corrida. Na altura, quando treinava para conquistar a minha primeira maratona, criei o blog De Sedentário a Maratonista, para partilhar os meus progressos e dificuldades. Depois dessa meta atingida, descobri no trail running e nas ultra-maratonas uma paixão que nunca mais deixei e que ainda hoje me faz sonhar com novas e mais ousadas aventuras. Duas vezes "finisher" do UTMB - Ultra Trail du Mont Branc e com um Ironman na mira, esta é a minha forma de fazer chegar a mais pessoas o prazer que tenho por uma vida ativa e mais saudável, e de as motivar a, também elas, perseguirem os seus sonhos. Porque a motivação também se treina!

Comentários

  1. […] ocasião do Triatlo de Alpiarça, eu e o Bruno metemos na cabeça que iríamos de bicicleta até à barragem dos Patudos, o local da […]

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