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De Sedentário a Maratonista

A motivação também se treina!

Seg | 29.10.12

O que comer durante uma ultramaratona?

José Guimarães
Fez ontem 1 semana que concluí a minha primeira prova de 100 milhas (166 km). Como consequência disso, os meus treinos desta última semana focaram-se na recuperação do corpo, ou o equivalente a dizer: pouca carga no ginásio e poucos kms nas corridas do dia-a-dia. Isto para ver se as mazelas desaparecem totalmente e fico apto a fazer aquela que talvez seja a minha última prova deste ano: o UTAX - Ultra Trail das Aldeias do XistoDurante esta última semana, muitos também foram os e-mails que recebi de algumas pessoas que em conjunto partilhavam uma questão em comum: como é que foi alimentar-me durante 166 km e 28 horas de prova? Comi gel, barras energéticas ou algum outro tipo de comida? E senti sono? Dormi? Descansei? Pois bem, passo a explicar. eat-before-long-run-1 Devo dizer desde já que o que partilho é baseado no meu parco conhecimento da matéria em causa e convido quem quiser a deixar algum comentário que possa complementar esta informação, a qual - recordo - diz respeito à minha uma única experiência deste tipo... até ao momento.

As dúvidas

Como é óbvio, quem nunca fez nada parecido tem dúvidas. Eu tinha dúvidas (e garanto-vos que não eram poucas). Sobre tudo um pouco: quantas saquetas de gel levar, quantas barras (e quais as melhores para cada situação), que tipo de alimentação poderia levar já preparada, qual poderia preparar no local, em que quantidade, etc.

Analisando as condições da prova

Para começar, a prova de 166 km seria feita em duas voltas a um percurso circular de 83 km de extensão. Começaria às 9h15 da manhã, prevendo-se portanto que a segunda volta fosse feita totalmente durante a noite. A organização referia no regulamento que iria disponibilizar comida quente (massas) nesse ponto intermédio de passagem. No resto do percurso, a alimentação seria baseada em fornecimento de água nos abastecimentos (aproximadamente a cada 15 km), sendo que aos 48 km e aos 128 km teríamos um ponto onde poderíamos deixar uma mochila com roupa para trocar e qualquer outro tipo de alimento que desejássemos, sendo que no local existiria somente água a ferver à disposição. Portanto estávamos preparados para uma prova em regime de semi-autosuficiência.

Os meus conhecimentos

Os meus conhecimentos de alimentação durante provas longas resumem-se aos testes com alimentos que fiz durante os últimos treinos longos e, no seu expoente máximo, às 14 horas que demorei a fazer o Ultra Trail da Serra da Freita. Tudo o resto foram provas de duração e de quilometragem menor. Estava portanto encontrado o meu "benchmark". Recordando a minha alimentação nessa prova, para além dos "consumíveis" habituais dos postos de abastecimento, posso dizer que o que correu melhor foram duas inovações por mim testadas durante a prova (arrisquei): a primeira foram os tremoços disponíveis nos abastecimentos e que, não só comia no local, como também trazia no bolso e ia comendo durante o percurso. A segunda foram umas saquetas de Redrate que havia levado, graças a uma dica de última hora do Hugo, as quais ia tomando uma sensivelmente a cada 15 ou 20 km. O Redrate é um pó solúvel em água e administrado via oral, cujo objetivo em traços gerais é repor tudo aquilo que o corpo perde em casos de desidratação intensa. Portanto iria levar algumas comigo, até porque não ocupam espaço nenhum na mochila. Depois há que pensar nos habituais gel e barras energéticas, claro. Costumo tomar já há algum tempo o gel da Multipower, que encontro a bom preço na Nutrilogia e onde consigo fazer uma generosa seleção de sabores. As minhas barras preferidas são as da PowerBar, porque têm uma "dose" maior de hidratos de carbono por barra, mas para variar trouxe também umas da GoldNutrition. Quanto à bebida, não podemos descurar o isotónico. Sempre preferi o sabor da Multipower ao do Gold Drink da Gold Nutrition, mas desta vez tive a oportunidade de experimentar o novo isotónico Hidra Max, da MaxForma. Além do preço bater a concorrência mais direta (na compra em quantidade podem conseguir um desconto adicional), o sabor é, na minha opinião, o melhor que experimentei até agora. Este é um fator decisivo para mim, já que ao fim de umas horas, por muito bem que saiba, já não se consegue ingerir nada a não ser água. No entanto, o sabor de uma autêntica limonada deste Hidra Max permitiu-me manter a ingestão constante deste líquido sem problemas por muito mais tempo. Fiz questão de beber um trago a cada 30 minutos de prova... e é importantíssimo manter esta regularidade, correndo o risco de ao fim de bastantes horas de prova o corpo se sentir desidratado, se assim não o fizermos. Mas tirando estes "residentes habituées" da mochila de cada corredor, sabia que as inúmeras horas de prova teriam de conter outros tipos de alimentação mais consistente, até mesmo coisas habituais do dia-a-dia. Recordo-me de aos 50 km da Serra da Freita ter comido uma canja que me soube pela vida, seguida de um café revigorante que me permitiu despertar os sentidos e seguir caminho sem demoras. Portanto nesta prova optei também por levar duas saquetas de canja de galinha para servirem de SOS e por cozer massa com pedaços de frango, para ter no ponto de de troca de roupa. Mas seria suficiente?

As dicas dos profissionais

Felizmente tive a sorte de conhecer profissionais experientes que me deram os melhores conselhos sobre como enfrentar esta longa prova.

1º passo: "quem vai para o mar..."

Como diz o ditado: "quem vai para o mar, avia-se em terra". E se por um lado a preparação física com a Hand2Hand (pelas mãos do António Nascimento e da Meire) foi crucial, também foram de extrema importância os conselhos da Filipa sobre o que comer, quando comer, etc.

2º passo: a questão mental

Antes de mais, e até por uma questão de mental, estabeleci um esquema de corrida que me pareceu ser o mais realista: iria fazer 4 maratonas. Assim poderia estabelecer um esquema de alimentação para cada uma dessas 4 distâncias.

3º passo: preparar a base

Primeiro que tudo, o consumo de gel e/ou barras energéticas iria servir como base inicial, por forma a manter a estabilidade dos níveis de glicemia, usando-os mais tarde somente como SOS. Depois separei uma saqueta com frutos secos salgados para, em conjunto com a ingestão constante de líquido, servirem como base fiável de alimentação durante os troços de corrida (mas cuidado, mastiguem bem, ou arriscam-se a se engasgarem à grande enquanto correm!).

4º passo: reforçar com mini-sandes

Preparei ainda antecipadamente meias-sandes variadas para ter não só como alimento durante a corrida, mas também para comer nos pontos de abastecimento: sandes de queijo, presunto e tomate, estas com um pingo de azeite e sal. Comia meia sandes num ponto de abastecimento e levava a outra metade para comer no ponto seguinte ou durante o troço, se tivesse fome. Com a ajuda da mochila à espera no km 48 / 128, duas sandes (4 meias-sandes) por maratona foram suficientes.

5º passo: pensar na mochila

Adicionalmente, optei por pecar por excesso e deixar ainda na mochila do km 48 / 128 alimentos a mais, logo vendo depois o que me apetecia comer. O objetivo seria ter disponível uma quantidade suficiente de hidratos de carbono em formato apetecível, que me permitisse saciar a fome e energizar o corpo ao longo da prova. Assim, ainda tinha à minha espera uma peça de fruta, uma caixa com aletria, as sandes para a outra parte do percurso, dois pedaços de tomate, sal, chocolate preto (SOS) e uma saqueta de esparguete à bolonhesa desidratado, caso fosse necessário preparar. A Teresa ainda tinha café solúvel e que aos 128 km, durante a noite e com o frio que estava, serviu para recarregar as baterias antes de seguir caminho!

6º passo: preparar o meio da prova

Como já referi atrás, o km 83 foi crucial para a alimentação. Ao chegar a este ponto e antes de trocar de roupa, a primeira coisa que fiz foi beber um batido de proteína, com um reforço de glutamina. Durante os treinos mais longos, beber a proteína mal acabo um treino permite-me dar alimento imediato aos músculos, enquanto "forro" o estômago com algo de fácil digestão, enquanto não chego a casa e como qualquer coisa mais consistente. Depois disto e da da troca de roupa, a organização daria aos atletas umas massas com molho de tomate. E a fabulosa Coca-Cola nesta fase foi como acompanhar uma excelente refeição com um bom vinho de uma excelente colheita! O resultado foi uma paragem de quase 1 hora e o recomeço da prova com a sensação reconfortante de um corpo bem nutrido e hidratado, pronto para mais duas maratonas.

O que levei mas não comi

Além disto, como optei por levar coisas a mais (não fosse o diabo tecê-las), ainda ficaram por comer algumas coisas que, ou não fizeram sentido, ou não foram mesmo necessárias. Entre estas contam-se: uma saqueta de puré de batata desidratado (do LIDL, daquele que basta juntar água e já está), batata doce, cubos de marmelada, saquetas de mel... e as barras energéticas. Pois, não comi nem uma.

A minha conclusão

É engraçado mas, se leram o livro do Christopher McDougall, Born to Run, uma ultramaratona é referida algures como "um concurso de comes e bebes, com um pouco de exercício e cenário à mistura". Mais do que nascidos para correr, nós efetivamente nascemos para comer. Não é à toa que se diz: "diz-me o que comes, dir-te-ei quem és". Portanto comer adequadamente fará sem dúvida toda a diferença, enquanto em provas desta natureza o nosso maior objetivo for chegar ao fim das mesmas com saúde para mais. Assim sendo, a conclusão que posso tirar desta minha experiência é que será sempre uma boa ideia testar diferentes comidas e tipos de nutrição desportiva durante os treinos, por forma a ver o que resulta melhor com cada um e o que nos dá a maior sensação de energia durante uma prova. Aproveitem algumas das dicas deste artigo, leiam outros artigos, tanto de profissionais como de outros atletas, testem diferentes combinações durante os treinos mais longos e afinem as melhores soluções para a corrida que vão enfrentar. E leiam as tabelas dos alimentos. Em paralelo com o vosso gosto pessoal, elas fornecem-vos a maior parte da informação nutricional que necessitam. Da minha parte, se quiserem trabalhar o corpo para fazer face às exigências, procurem e tenham uma conversa com o António Nascimento ou qualquer outro membro da equipa Hand2Hand. Se quiserem saber diferentes produtos para uma suplementação correta, visitem a loja da Nutrilogia e falem com a equipa. Tanto o João como o André serão capazes de vos dar o melhor atendimento e recomendar o produto certo para as vossas necessidades e especificidades. Lembrem-se do quanto o corpo humano se consegue adaptar e principalmente lembrem-se que aquele produto cientificamente comprovado como o melhor para determinado atleta, pode ser ou pode não ser o melhor para vocês. Bons treinos e boas provas!
Qua | 24.10.12

Os 42 aos 36

José Guimarães
Mantive o título original do texto. Na realidade não alterei nem uma vírgula. O relato pertence à Susana, uma amiga que neste fim de semana, enquanto eu terminava os meus primeiros 166 km, terminava ela os seus primeiros 42,195 km: a sua primeira maratona! É inspirador. E tem de tudo um pouco: experiências, desejos, trabalho árduo, suor, frustrações, conquistas... acima de tudo uma vontade enorme de vencer e de saber como é isso de fazer uma maratona! Conseguiu-o! Leiam como foi e digam lá se não vale a pena: bolo-maratona "O meu amigo José Guimarães tem um blog. Chama-se “De Sedentário a Maratonista”. Connosco tem partilhado muitas das suas aventuras, desde o primeiro dia em que calçou os ténis e correu uns metros na Praia de Carcavelos. Entretanto, dos metros evoluiu para os km, dezenas de km e, há 3 dias, quase duas centenas – 166 km em la Ultima Frontera em Espanha. Antes de partir para Amesterdão, desafiou-me para escrever sobre a minha primeira experiência “42”. Vamos lá esclarecer uma coisa. Sou maratonista – na medida em que concluí a minha primeira maratona há 3 dias. Mas não era sedentária. Uma mãe de duas crianças de 6 e 5 anos não pode ser sedentária. Não é possível. É contra-natura. E existe sempre a possibilidade de, além de mãe, se ser daquele tipo de pessoa “pula-do-sofá”, quando se verifica que o comando da TV tem um desvio de 25º relativamente ao monte alinhado de revistas (sempre a mesma publicação, para ter exatamente as mesmas medidas). Uma pessoa assim não é de todo sedentária.

Adiante…

Decidi correr a maratona em março deste ano. Estava para os lados de Sesimbra, a estrear-me numa prova de trilhos. Corria há pouco mais de um ano. E porque o decidi fazer, perguntarão alguns de vós? Para visitar Amesterdão. Falso. Não precisava de um pretexto para viajar. E a cidade tem muito para oferecer. Canais, o Amstel, bicicletas, socas, Anne Frank, Van Gogh, bolos espaciais e especiais. Para provar ao "mundo" que conseguiria. Falso. O "mundo" sabe bem como sou teimosa e persistente quando meto uma ideia na cabeça. De resto, e naturalmente, o "mundo" não anda por aí preocupado com o facto de eu ser ou não bem sucedida nas minhas corridas. O "mundo" está em casa (ou fora dela) a fazer ginástica financeira, tentando gerir o pouco que tem, para o tanto que lhe falta. Para massajar o meu ego. Falso. Conheço outras formas menos penosas para alimentar o ego. Ocorre-me de imediato uma. Com o dinheiro gasto em inscrição na prova, viagem e alojamento comprava a minha super-pasteleira preta, com estofo camel, pneus castanhos e beges, guiador largo e cesta de madeira decorada com malmequeres e gerberas. Porque queria chegar ao fim. Verdadeiro. Neste último ano tenho lido e ouvido muito sobre o assunto. Testemunhos na primeira pessoa garantiam que a sensação era inigualável. Pois bem. Queria sentir isso. Antes de prosseguir com este relato, esclareço desde já que não percebo nada de corrida. Apenas corro. Ao ritmo que me sabe bem. Esta é a experiência de uma "miúda" que correu a sua primeira maratona em 4h07m.

A preparação

Comecei os meus treinos "a sério" 6 meses antes da prova. Era um treino profissional. Para profissionais, eu diria. Tudo correu bem até ao momento das indesejáveis séries. Não sou veloz. Não tenho pernas de gazela. Sentia-me verdadeiramente exausta depois dos treinos de séries. E desconsolada. Recordo-me de ver a marca do Usain Bolt para os 400 metros nos JO de Londres este verão. 49 segundos. "Hummmm, este número é-me familiar", pensei. Consultei os meus registos no garmin connect. Levara 1'49" a percorrer a mesma distância. Daí a familiaridade. Mas faltava o algarismo "1" à esquerda. Ora isso não estimula uma pessoa que se propôs a correr a maratona. Fui à net e criei um plano da asics. Coloquei os meus dados, a data da prova e o tempo em que pretendia concluí-la. Estabeleci o número de treinos por semana - 4 dias em 7. Os treinos combinavam diferentes distâncias e diferentes velocidades. Cumpri sempre os objetivos. Parecia que tinham sido desenhados para mim. E foi desta forma, com muitos km nas pernas e dezenas de horas a correr por aí que cheguei ao dia "A". "A" de Amsterdam.

A véspera

Na noite anterior à prova bebi um copo de vinho tinto. Sabem lá as propriedades calmantes da uva preta. Dizem que a camomila tem efeitos semelhantes. Mas não é a mesma coisa. Deitei-me antes das 22 horas. Estava exausta. E anestesiada pela uva preta. Demorei mais de 3 horas até adormecer finalmente. Senti literalmente os membros superiores e inferiores derreterem-se contra o colchão. A sensação era de que viravam pernas de polvo. Estranho, muito estranho. Felizmente não acordei molusco.

A prova

Quando tudo indicava que correria sozinha os meus primeiros 42 km, eis que surge uma lebre caída do céu. Duas amigas recentes das corridas puseram-me em contacto com um grupo que partia também para Amesterdão, para correr a meia e a maratona. Tudo gente bem disposta. E assim foi. Eu e o Al - tive que arranjar um nickname porque temia que durante a prova me faltassem as forças para chamar pelo Albísio e felizmente o Al aceitou de bom grado a minha sugestão - começámos na zona D, reservada aos atletas que pretendiam terminar a prova em 4 horas. Tudo aconteceu de alguma forma ao contrário do que previa. Passo a explicar. O meu i-pod não carregara na noite anterior. Por esse motivo, a hit list que havia cuidadosamente preparado vários dias antes não viria a ser ouvida. Corri sem música. Primeira vez em que tal aconteceu. Ainda na volta inicial que se desenrola dentro do estádio olímpico, cai o gel de laranja. Não havia tempo a perder, pelo que não voltei atrás para o recuperar. Segui em frente. Os primeiros km da prova foram um verdadeiro "slalom". Passa pela direita, passa pela esquerda, passa pelo meio. Sempre com elegância - não sou miúda de cotoveladas. Verdadeiros congestionamentos. O Al estava entusiasmado. Disse-me para não olhar para o relógio e esquecer os km que faltavam. Assim o fiz. Pensava que as 4 horas de corrida me permitiriam resolver mentalmente muitas equações de segundo grau e alguns integrais triplos. Que pensaria na vida. No que passou. No que está para vir. Nada disso. Como escrevi no início, tudo saiu ao contrário. Não consegui sequer apreciar realmente o percurso da prova. Nem dei pelo moinho (aparece nas fotos promocionais da maratona, pelo que acredito que lá esteja, algures). Ia concentrada na minha passada, na minha respiração, no piso e em não perder o Al de vista. Olhava para as pernas, para os ténis e rabiosques que tinha pela frente, fazendo avaliações cuidadosas dos outfits dos atletas. Vi vestidos e saias de corrida. Vi meias de compressão rosa-choque. Vi bandoletes com penas de pavão (ou de outra ave rara qualquer). É assim mesmo. Não tenhamos receio de nos afirmar enquanto corremos! Já fora da cidade, por volta do km 15, olhei para o relógio. Achei que íamos rápido demais. 5´10´´. “Ó Al, não vamos demasiado depressa?”, perguntei eu. Comi um figo seco que o Al trouxera. Não gosto de figos secos, mas aquele soube-me pela vida. Passámos os 21 km (meia-maratona, portanto) abaixo do meu melhor tempo. “Sinto-me bem”, pensei. A dado momento o Al queixou-se de uma lesão que levava mal curada. O tendão de Aquiles. Reduzimos o ritmo. Mandou-me seguir. Não fui. Se o problema era o Aquiles, então eu seria a Helena de Tróia. As minhas desculpas pela falta de modéstia, mas não me importaria de ser a Diane Kruger naquele filme. Bem vistas as coisas, não me importaria de ser a Diane Kruger. Iríamos terminar juntos aquilo que havíamos começado. Faltavam muitos quilómetros ainda e eu sabia que iria precisar do Al ao meu lado. Vi a marca dos 32. “A partir de agora descubro o admirável mundo novo”, disse eu. O meu treino mais longo havia sido precisamente de 32 km. Passei os 33, os 34, os 35 e os 36. Devo ter-me desviado do célebre muro. O tal de que todos falam, mas ninguém vê. Ia batendo com as minhas mãos nas mãos pequeninas de crianças que se encontravam junto à berma. Não falhei uma única loirinha, pequenina e de óculos. Só pensava na minha Inês.

A chegada

Quando avistei a placa “500 metros” comecei a choramingar. A sério que chorei. Ouvi um “bravo, madame!”. Agradeci em francês, claro está. Entrámos no estádio tal como tínhamos saído. Juntos. Dei um grito estridente para uma fotógrafa que estava muito bem posicionada quase na linha da meta. Espero conseguir localizar essa foto. Cruzámos a meta rigorosamente ao mesmo tempo – hora, minuto e segundo. Os resultados não me deixam mentir. “Estou muito feliz”, disse eu ao Al.

O dia seguinte

Mandam os manuais e artigos da especialidade repousar no dia seguinte à maratona. O Pedro havia-me acompanhado a Amesterdão para os meus primeiros 42. Não podia desiludi-lo ficando sentada num qualquer banco de jardim, num dos muitos e maravilhosos parques que Amesterdão oferece. Pedalámos todo o dia. Todo o dia. E fomos ao Rijksmuseum. Não estava com grande disposição para apreciar Rembrandt mas, verdade seja dita, não sei se algum dia estarei. Fiquei antes fixada num roupeiro feito de madeira de oliveira que pertenceu algures no tempo a uma qualquer princesa. Esse sim, teria gostado de trazer para casa. Pedalar foi de facto uma grande estratégia. Poupei os pés e, rolando a baixa velocidade e com mudança baixa, fui alongando os músculos das pernas. Esta estratégia garantiu-me “dores zero” até ao momento.

E depois?

Muitos planeiam fazer uma maratona em breve. O testemunho que quero deixar é que está efetivamente ao alcance de qualquer um. Com treino, claro, muito treino. Falo de concluir uma prova em 4 horas e terminá-la bem, sem sofrimento. Falo também de Amesterdão, cuja altimetria é muito particular. Falo apenas do que conheço. Esta manhã decidi que não queria de modo algum entrar na fase “blues do corredor”. Tinha que estabelecer um novo objetivo rapidamente. “Without having a goal it’s difficult o score”. Pois bem. Sevilha é mesmo aqui ao lado. Fevereiro é um mês perfeito para a segunda maratona. Está perfeito. Simplesmente perfeito. Vou-me embora, que já se faz tarde, mas antes… Plantem uma árvore. Tenham um filho. Escrevam um livro. Sim, tudo isso. Mas corram também uma maratona. Vivam a ansiedade das semanas que antecedem a prova, os momentos de confiança e os de dúvida. Treinem. Olhem para o relógio. Não olhem para o relógio. Vivam com alegria o registo de um tempo melhor que o anterior. Protestem quando o treino não corre bem. Vivam a véspera, o dia da prova, a passagem da meta aos 42. Corram uma maratona. Aqui, ali ou em qualquer lugar. NB – Deveria terminar com um agradecimento em jeito hollywoodesco (lá estou eu com a mania que sou artista), mas sei que esqueceria algum nome importante e não me perdoaria mais tarde por isso. E, o que é certo, é que nestes momentos, à sua maneira, todos os que fazem parte da minha vida são importantes."
Seg | 22.10.12

Como (e por que motivo) corri uma ultramaratona de 166 km

José Guimarães
Há muitas coisas envolvidas quando falamos em correr longas distâncias. Quando há cerca de 1 ano e meio comecei a treinar para fazer uma maratona, cedo me apercebi que a disciplina nos treinos, a exigência física e os bons hábitos de alimentação fariam toda a diferença para conseguir atingir aquele objetivo. Desta vez, treinar para correr uma ultramaratona de 100 milhas (166 km) implicou tudo isto e algo mais: a ajuda de todos os que me rodeiam fizeram - uma vez mais - toda a diferença e empurraram-me até a reta da meta. ultimafronteratrail-equipa Algures no meio da Andaluzia, ao chegar a um “pueblo” chamado Zagra, a Teresa avisa-me: “Parabéns, acabámos de fazer 100km!!!”. A Teresa é uma valente ultramaratonista, com muita experiência em quilómetros nas pernas e foi a minha companhia durante as 28 horas que levaram a concluir neste fim de semana o trail Ultima Frontera, em Espanha. Atingir uma marca que nunca havia atingido antes é, por si só, algo a registar. Daí ter combinado com a Teresa para que me avisasse assim que o relógio batesse no sinal mítico dos 100 km... três dígitos! Imaginar isto há 1 ano atrás... quem diria? Independentemente de como a coisa corresse (literalmente) até ao fim, esta já ninguém me tirava.

Como corri esta ultramaratona?

Todo o fim de semana foi planeado para ser o mais "leve" possível. Leve para a cabeça, já que o estado de ansiedade era tal que, se medisse o ritmo cardíaco na véspera da prova, acredito que fosse bastante superior ao ritmo durante a prova em si. Para começar bem "a coisa", viajámos rumo a Loja, em Espanha, num grupo de 6 portugueses. Esta é, para mim, a melhor forma de enfrentar um desafio desta envergadura: em grupo. Porque partilhando aventuras e desventuras e cruzando diferentes histórias, mesmo sendo a experiência individual de corrida de cada um bem maior do que toda a minha experiência acumulada, tal facto traz-nos alguma bagagem sobre o que se pode fazer, no caso de enfrentar e ultrapassar dificuldades. Porque como dizia o Carlos (um ultra Ser humano e, por sinal, 2º classificado no final desta prova): "Nestas distâncias o que conta não é só correr quando estamos bem, mas conseguir ultrapassar as dificuldades quando somos confrontados com elas".
"Nestas distâncias o que conta não é só correr quando estamos bem, mas conseguir ultrapassar as dificuldades quando somos confrontados com elas."
Se normalmente o facto de chegar em viagem a um local no estrangeiro me causa boas sensações, chegar a um local no estrangeiro para ir correr em condições que, de alguma forma, escapam ao meu controlo, não deixa de interferir um pouco com o meu sistema nervoso. E como o estado de ansiedade (novamente) a subir depois se reflete em asneiras, potencialmente daquelas que só descobrimos quando já é tarde demais, aproveito para deixar aqui outro conselho que - no meu caso - resulta sempre bem. Tem a ver com a preparação de tudo com a devida antecedência. Quanta antecedência? Tanta quanto for necessária. A título de exemplo, a nossa viagem foi feita na 6ª feira durante a tarde e passei praticamente toda a tarde de 5ª feira a tratar do equipamento e da alimentação (há sempre coisas para comprar à última da hora) e a manhã de 6ª feira a arrumar tudo nos sacos e a separar a comida e os suplementos que iria deixar nos postos de abastecimento da prova. Isto porque a prova iria ser feita em regime de semi-autosuficiência (é assim que se diz?), ou seja, a organização só iria disponibilizar o mínimo indispensável e a alimentação principal estaria a cargo dos atletas. Apesar de algumas coisas já terem sido resolvidas muito à pressa, o resultado da preparação prévia de todos estes pontos essenciais foi nunca ter tido sentido qualquer falha ao nível da alimentação ou do equipamento, o que me permitiu fazer a prova só preocupado com correr e pouco mais. E depois há, obviamente, que contar com tudo e todos os que, de alguma forma, estiveram presentes do início ao fim. No meu caso em particular, todos me ajudaram a cumprir esta meta, como os incansáveis e sempre bem dispostos Antônio e Meire na preparação física (da ainda mais incansável equipa Hand2Hand), o João da Nutrilogia com os suplementos certos para ajudar o corpo a suportar e a recuperar de tanto desgaste (e tanto me atura com dúvidas sobre o que comprar e o que usar), a Filipa que me diz "come isto" e "não comas aquilo" (graças a ti passei 28 horas de estômago equilibrado), o Ricardo Arraias e os seus conselhos té(nis)cnicos (a lama foi mais que muita), a incansável Inês que acompanha, tira fotos, apoia as organizações, atura as más disposições e puxa pela malta cansada... e mesmo os que ficaram em casa a apoiar e os que, infelizmente, já não estão entre nós, mas cuja memória e saudade os torna sempre presentes. A todos eles só tenho que agradecer de uma forma que não cabe nestas palavras, mas que irá caber sem dúvida em relações que saíram mais fortes e que irão perdurar dentro de cada um de nós. Eis "como" consegui correr 166 km.

E porquê?

Esta talvez seja a pergunta mais difícil de responder e onde talvez apareçam as respostas mais diferentes umas das outras, mais polémicas até. Porque é que se corre uma ultramaratona? Ou porque é que se corre uma ultramaratona, logo uma com 166 quilómetros? Isto porque, teoricamente, uma ultramaratona é qualquer corrida que tenha uma extensão maior que uma maratona (42.195 m). Portanto poderia ter corrido 50 km que já teria sido uma ultramaratona. Mas então, por que motivo é que alguém corre 166 km, ou mais? Respondendo com outra pergunta: porque é um dia resolvi calçar os ténis e começar a correr? E no dia seguinte resolvi voltar a correr um pouquinho mais? A resposta imediata que me vem logo à cabeça é uma: porque quem faz isto descobriu um dia que gosta realmente do que está a fazer! E aqui entramos no lado motivacional do acto que é correr. E quem diz correr diz praticar algum tipo de atividade, neste caso em particular um desporto cujo esforço físico e psicológico é muitas vezes levado ao limite. A sensação de testar os limites sempre foi algo que o Ser humano sempre procurou. É ver o exemplo do Felix Baumgartner que tentou bater o antigo record do americano Joseph Kittinger, num salto estratosférico em queda livre a mais de 39 mil metros de altitude. A título de má comparação, nas corridas existe a sensação de se fazer um melhor tempo do o anterior ou, neste meu último caso, de fazer mais quilómetros do que a minha última marca. Não sei se tem a ver com as endorfinas ou não, mas não se pode negar que é boa a sensação, a de nos sabermos mais capazes, de nos sentirmos um pouco melhores do que no estado anterior. Confesso tenho que me manter sempre motivado com algo. E este algo é, atualmente, estabelecer e conquistar objetivos realistas. No caso da corrida, os objetivos que me dão gozo são os da distância e das dificuldades acrescidas. Conquistar quilómetro após quilómetro, etapa após etapa e superar cada dificuldade é, para mim, uma pequena vitória. Para alcançar uma vitória maior? Talvez... Cada um terá a sua vitória, o seu objetivo, o seu sonho maior. Talvez seja aquilo que toda a vida procurou alcançar e ainda não conseguiu, ou talvez seja aquilo que há meia dúzia de dias atrás descobriu que até gostava de fazer. Não interessa. O que importa é que esse objetivo exista e que sirva para nos mantermos motivados a fazer ainda mais e melhor. E se no caminho pudermos ajudar (nem que seja somente motivando) outra pessoa a fazer o mesmo, então essas dificuldades passam a ter um significado ainda mais especial. O que quero dizer com isto é que, para mim, fazer 166 km só têm significado se conseguir transpor “esta conquista” para outras áreas da minha vida, quer pessoal, quer profissional. Depois, ganhará um significado ainda mais especial se conseguir com isso motivar alguém a pôr em marcha a conquista do seu sonho, da sua meta. Porque não começar a praticar exercício físico, correr 5 km, 10 km, ou uma maratona pela primeira vez? Porque da mesma forma que há 1 ano atrás a minha meta era terminar uma maratona e ontem terminei com sucesso uma ultramaratona de 166 km, da mesma forma não acredito que existam metas impossíveis de alcançar. Há metas mais trabalhosas de alcançar do que outras, é verdade. Mas também há quem diga que o suor é diretamente proporcionar à vitória.

E agora, o que se segue?

ultimafrontera-tshirtPara já estou satisfeito. Num só fim de semana conquistei uma meta no 13º lugar, fiz novos amigos (que conquistaram os 2º, 3º, 5º e 12º lugares) e também novo alento para mais trabalho em busca dos meus sonhos. Porque eu sonho... e por vezes sonho alto (porque não?). Para já, no meu plano de treinos tenho duas semanas de recuperação pela frente e preparação para algumas provas do nosso bem composto calendário nacional. Vamos com calma e juízo. E com trabalho. Assim tudo se consegue, acreditem!
Qui | 18.10.12

Vai ser um fim de semana cheio de quilómetros

José Guimarães
Este fim de semana eu e mais 5 portugueses vamos correr pela primeira vez 166 quilómetros, no trail Ultima Frontera em Espanha. No domingo há mais alguns portugueses a correr na TCS Amsterdam Marathon (uma dessas pessoas vai fazer a sua primeira maratona, boa boa!!!) e esperam-se mais de 10.000 pessoas na Corrida do Tejo. Prevê-se um fim de semana cheio de quilómetros para os apaixonados por este modo de vida que é correr! E assim sendo, "esos locos que corren" recomendam a todos que não fiquem em casa no fim de semana. O tempo vai melhorar ligeiramente, portanto aproveitem o ar limpo que vai fazer dêem uma corridinha ou façam uma caminhada. O corpo agradece :) Tempo para Lisboa: http://www.weather.com/weather/weekend/Lisboa/Gago+Coutinho+POXX0039:1:PO Tempo para Amesterdão: http://www.weather.com/weather/weekend/Amsterdam+NLXX0002:1:NL Tempo para Loja, Espanha: http://www.weather.com/weather/weekend/Loja+SPXX1348:1:SP
Seg | 15.10.12

Como correr como o Usain Bolt...

José Guimarães
O que é que pessoas como o Usain Bolt, Tiger Woods e Felix Baumgartner têm em comum? Todos são bons... todos são os melhores naquilo que fazem. Perante os feitos impressionantes de cada um deles, é inevitável afirmar que nasceram para isso. Mas alguns estudos vêm afirmar agora que a falta de talento natural é irrelevante para o sucesso. Então qual é o segredo? Simples: trabalho duro e prática recorrente, exigente e muitas vezes dolorosa. usain-bolt Depois de Usain Bolt ter corrido nos Jogos Olímpicos de Londres os 100 metros em 9,63 segundos e tornando-se assim no homem mais rápido do mundo (a correr), na conferência de imprensa confessou aos jornalistas que foram as duas derrotas que sofreu com o Yohan Blake (nas qualificações) que o fizeram acordar. Também Tiger Woods pode ser entendido como um fenómeno, já que conquistou mais títulos no PGAdo que qualquer outro golfista em atividade. [caption id="attachment_2248" align="alignright" width="216"]jump-redbullstratos Felix Baumgartner - 2013[/caption] E ainda ontem, Felix Baumgartner entrou para a história (como Joseph Kittinger já o havia feito antes) como o homem que detém o salto em queda livre mais alto da história: saltou de cerca de 39.000 m de altitude... estratosfera, portanto. Ele diz "aprendam a amar aquilo que vos ensinaram a temer." O que é que torna estes atletas nos melhores? Infelizmente não é tão simples quanto acreditar que eles vieram a este mundo dotados daquilo que os tornou os melhores. Ninguém possui um talento natural para uma determinada tarefa, porque talentos naturais segmentados simplesmente não existem. [caption id="attachment_2249" align="alignright" width="168"]1960-kittinger-jump Joseph Kittinger - 1960[/caption] Atinge-se o sucesso somente através de uma enorme carga de trabalho duro, ao longo de muitos anos. E não é qualquer tipo de trabalho duro, mas um trabalho específico que tem tanto de exigente como de doloroso. Alguns investigadores britânicos concluíram num estudo intensivo que "a prova que procurámos não suporta a noção que a excelência é uma consequência de se possuir um talento nato".

Não há substituto para o trabalho árduo

[caption id="attachment_2250" align="alignright" width="150"]tigerwoods_boy_golf Tiger Woods com 3 anos de idade[/caption] A primeira grande conclusão é que ninguém é bom sem trabalho árduo. Simplesmente não existem quaisquer provas de performances de alto nível sem grande experiência ou prática. Até os casos mais bem sucedidos necessitam de cerca de 10 anos de trabalho árduo antes de se tornarem casos de sucesso mundiais, um padrão que os investigadores já chamam de "a regra dos 10 anos". Portanto o sucesso não é simplesmente entregue a alguém: requer muito trabalho árduo. No entanto, tal não é suficiente, já que muitas pessoas trabalham tão afincadamente durante décadas sem sequer se aproximarem da perfeição no que fazem ou sem sequer se aperfeiçoarem significativamente. O que falha então?

A prática faz a perfeição

Regra geral, os melhores exemplos em qualquer campo são de pessoas que dedicam um maior número de horas ao que os investigadores chamam de "prática deliberada". É a atividade cuja intenção é unicamente a de melhorar a performance, que procura alcançar objetivos um pouco além dos níveis de competência, permite medir os resultados e envolve elevados índices de repetição. A consistência é crucial para o sucesso. Os atletas de elite treinam repetitivamente sempre o mesmo número de horas todos os dias, incluindo fins de semana e feriados. E isto aplica-se a praticamente todas as áreas e profissões, sejam médicos, vendedores e virtualmente todos os tipos de desporto. Mais prática deliberada resulta em melhor performance. Toneladas dessa prática resulta em grandes performances.

Adotar uma nova forma de pensar

Munidas com esta forma de pensar, as pessoas agarram um trabalho de forma diferente. Os investigadores mostram que elas processam a informação de forma mais profunda e prolongada. Querem mais informações sobre o que fazem e procuram diferentes perspectivas. Adotam um ponto de vista a longo prazo e não se limitam a - simplesmente - fazer o trabalho, mas a - explicitamente - fazê-lo melhor. A diferença na aproximação mental é portanto vital. Como os investigadores mostram, quando por exemplo um cantor amador participa numa aula de canto, acha-a interessante e divertida, ou até uma libertação de tensão. Ao contrário, um cantor profissional consegue aumentar o nível de concentração e melhorar a sua performance durante a lição. A mesma atividade, formas de pensar diferentes. E o feedback que se consegue obter é importantíssimo! No entanto, a maior parte das pessoas não o procura, limita-se a esperar por ele, metade talvez espere mesmo que ele não venha à tona. Mas sem se saber se estamos a ser bem sucedidos ou não, duas coisas podem acontecer: por um lado não nos tornaremos melhores e, por outro, vamos deixar de nos importar com isso.

Porquê?

Para a maior parte das pessoas, o trabalho já é difícil, mesmo sem o levarmos mais além. Esses níveis de dificuldade acrescida podem ser tão dolorosos que quase nunca são realizados. Mas é assim mesmo que tem de ser. Se as grandes realizações fossem fáceis, não seriam assim tão raras. O que nos leva a outra possibilidade e a uma nova grande questão: se por um lado é possível concluir assim tanto sobre o comportamento certo capaz de nos levar a grandes feitos, por outro pouco se percebe sobre de onde emerge esse mesmo comportamento. Autores de um outro estudo concluem que "Ainda não conhecemos os fatores que encorajam as pessoas a submeter-se a determinadas práticas deliberadas. Algumas pessoas são muito mais motivadas do que outras e essa é a questão existencial à qual ainda não somos capazes de responder: porquê?". A realidade é que ninguém é refém de algum tipo de talento natural. Podemos fazer o que quisermos e, estranhamente, esta noção não é muito popular. Até porque quando as pessoas mais bem sucedidas são atingidas por algum inevitável momento de má sorte, concluem imediatamente que não têm talento e simplesmente desistem. Talvez seja errado esperar que a maior parte das pessoas atinja um patamar de excelência. É simplesmente demasiado exigente. Mas a boa notícia - e a mensagem principal neste post - é que essa excelência não está reservada para um determinado grupo de pessoas. Ela está ao alcance de qualquer um de nós.   Fontes: Wikipedia CNN Money
Dom | 14.10.12

O último treino longo

José Guimarães
Hoje foi dia do último treino longo. Quero dizer, o último treino longo antes da prova longa. Quer queira, quer não, a minha cabeça já só pensa nisso. Na duração da prova, como estará o tempo, no equipamento que vou usar, nos alimentos que vou ingerir. E sobre estes últimos, o treino longo que fiz esta manhã serviu também para fazer mais algumas experiências gastronómicas sugeridas pela Filipa. Algumas correram bem, outras nem por isso. Mas para isso mesmo é que servem as experiências. Antes correrem mal agora que durante os 166 km da prova. desedentarioamaratonista-parquedasnacoes-treino

O percurso do treino

O treino consistiu em 32 km feitos em duas etapas. O objetivo era fazer uma paragem um pouco depois dos 20 km para poder experimentar uma alimentação especial e testar a recetividade do organismo durante a 2ª parte do percurso. desedentarioamaratonista-percurso-treinoSaí da Penha de França pelas 7h30 (hora bonita em que dá para apanhar o nascer do sol) em direção à Alameda, para apanhar a Avenida de Roma e percorrê-la até à Avenida do Brasil. Daí apanhei uma ciclovia que, se ainda não conhecem, recomendo! É um percurso bem marcado e que se pode percorrer desde Benfica, passando pelo Campo Grande, Rotunda do Relógio, até ao Parque das Nações. Esta pelo menos foi a parte que já tive oportunidade de fazer e achei uma boa alternativa para quem quer fazer uns quilómetros na cidade, sem ter grandes chatices com o trânsito. Descendo a Avenida do Brasil e depois de um "pit-stop" na Repsol da rotunda do relógio, continuei pelos Olivais até Moscavide, para chegar rapidamente ao Parque Tejo. Aí dei a volta e mantive-me sempre junto ao rio até à zona de Sta. Apolónia, onde subi novamente até à Penha de França para experimentar a canja de galinha desidratada que a Inês tinha preparado. Abastecido, desci novamente até Sta. Apolónia, onde me cruzei com o Eduardo Santos do Mundo da Corrida, também no seu treino matinal. Um abraço amigo! Como me restavam poucos quilómetros até à conclusão dos 30 km planeados para esta manhã, mas ainda me apetecia meter umas subidas nas pernas, no Cais do Sodré optei por subir até ao Príncipe Real e daí descer até ao Marquês de Pombal, subir a Avenida Duque de Loulé, passar pelos Anjos, novamente subir até à Penha de França e... puf, puf!!!... casa...

A alimentação durante o treino

Nada de especial, mas tudo de novo. Nada de especial porque baseei-me em coisas que gosto e que o corpo está habituado a ingerir e que, em situação de fome, agradece. Tudo de novo porque comer umas massas desidratadas não são propriamente a mesma coisa que comer um prato de um delicioso esparguete preparado com preceito. Passo a explicar que estas opções de comida desidratada devem-se ao facto da organização proporcionar pontos com água a ferver para os atletas prepararem as suas próprias refeições. desedentarioamaratonista-comidas-treinoAo pequeno almoço comi uma fatia de pão com um bocado de marmelada e depois experimentei comer uma massa desidratada, preparada somente com água a ferver. Confesso que, apesar de pessoalmente eu adorar este tipo de massas chinesas, a opção não foi a melhor. Pelo que vi, o problema está, não na massa (aquelas de ovo), mas na saqueta dos temperos que as acompanha e que, dizem as instruções, se deve adicionar juntamente com a água a ferver. Ainda experimentei um pouco desse tempero, mas aquele travo de especiarias meio picante fizeram-me recuar e só comer a massa, sem mais nada, só uma pitada de sal. Saindo para correr, munido do cinto com as duas garrafas, uma com água e outra com bebida isotónica, não precisei de mais alimento durante a primeira parte do percurso, a qual durou aproximadamente 2 horas para uma distância de 22 km. Chegado a casa após essa primeira distância, o plano era experimentar comer a canja de galinha desidratada e ver se caía bem no estômago (era do Pingo Doce e tinha pouca massa), mas como tinha pouca massa e muita gordura, preferi optar pelo puré de batata feito ontem, ao qual juntei um pouco do caldo e da massa da canja. Assim sim, hidratos de carbono suficientes que não pesaram em nada no estômago e me permitiram continuar o percurso o qual durou mais cerca de 10 km, até aos 32 km.

Moral da história

A prova são 166 km, no entanto algo facilitada porque ao km 83 passa-se pelo local da partida, o que permite aos atletas deixarem equipamento para trocar e os seus alimentos para preparar e comer. Vou tentar levar algumas batatas doces já cozidas, porque resultam bem como hidratos e são muito gulosas. Depois um pacote de esparguete à bolonhesa deve resultar lá para meio da prova (que sempre me deram muito jeito no campismo e fica... hmmm, delicioso!!!) e a massa da canja de galinha já pré-cozida também deve dar para carregar. Se precisar basta adicionar um pouco de água a ferver e ficará pronta a comer. Bem me lembro daquela pratada de canja de galinha da Serra da Freita... acho que foi isso que me deu energias para chegar ao fim inteiro. Isso e um cafézinho muito bem servido antes de voltar à prova ;) Adicionalmente também me farei acompanhar das saquetas de gel, barrinhas energéticas e sal, ou até das belas das saquetas de Redrate, há uns tempos recomendadas pelo meu amigo Hugo Santos, durante um treino na Carregueira. Tirando isto, nada que uma boa dose de boa disposição e de companheirismo entre todos os portugueses que vão participar na prova não consiga ultrapassar ;) Vai ser um desafio bonito e cá estarei para contar a história. Agora falta levar a semana com calma, correr os poucos quilómetros do plano de treino e conquistar mais este objetivo. Depois haverá mais... desedentarioamaratonista-olivais-treinoDestaque para o bonito que é cruzar-me no meio da cidade às 7h30 com outros corredores que, de sorriso no rosto, nos cumprimentam com um saudável "bom dia!". Isto de correr tem mesmo que se lhe diga...
Qui | 11.10.12

Treinar corrida e natação é vantajoso!

José Guimarães
O artigo que li hoje no blog Correr por Prazer fala das vantagens da adoção da natação num plano de treinos de corrida. Enquanto o lia, não pude deixar de me recordar do mês de Maio deste ano, em que, impossibilitado de correr por causa de uma pancada forte que dei com o joelho direito, não me restou outra alternativa que não a fisioterapia e... natação! De facto, esta atividade física ímpar foi a única coisa que me permitiu não só manter a forma física, como até melhorar algumas vertentes, como a capacidade cardio-respiratória e até mesmo ajudar na recuperação correta da inflamação com que andei semanas sem conta na chamada "pata de ganso" (corrijam-me se disser por aqui alguma coisa menos correta). Tal como se pode ler no artigo, "correr e nadar complementam-se em diversas formas, o que faz com que a performance dos corredores, profissionais ou amadores, saia valorizada, sem esquecer no processo de treino de corrida as melhores sensações e a redução e/ou ajuda na resolução de lesões". Cliquem aqui para ler o artigo completo e, se possível, procurem depois incorporar uma sessão semanal de natação no vosso plano de treinos. Aos que já o fazem, deixem aqui os vossos comentários e mostrem aos outros o que isso trouxe de positivo para a vossa forma física.
Qua | 10.10.12

3000 fans no Facebook

José Guimarães
Hoje quando liguei a página De Sedentário a Maratonista no Facebook apareceu-me este número: 3.003 fans. Não posso deixar de sorrir. Se há 1 ano atrás me dissessem que eu hoje ia ter uma página no Facebook com mais de 3.000 fans, provavelmente iria achar piada. Também, se há 1 ano atrás, enquanto tentava conquistar a minha primeira maratona, me dissessem que agora iria estar a 2 semanas de partir à conquista da minha primeira ultra-maratona com 3 dígitos... provavelmente iria rir à gargalhada. [dropcap style="inverted"]OBRIGADO [/dropcap] a todos os que me têm acompanhado nestas pequeninas conquistas. A todos os que clicaram no LIKE, que leram os meus artigos, todos os que revejo vezes sem conta nas corridas, nos treinos, nos emails e nas mensagens. Estejam perto ou longe, o meu agradecimento a todos os que sabem o que é isto do desporto e que se revêm de alguma forma no que se vai fazendo km após km, conquista após conquista. A todos vocês que tenho a honra de conhecer pessoalmente e alguns mais que não conheço, só espero poder continuar a partilhar convosco tudo o que sei e vou descobrindo, para que assim também vocês se sintam motivados a traçar metas e a conquistar os vossos próprios objetivos. Como diz um provérbio que um amigo me mostrou um dia: "Podemos aprender a sabedoria através de três métodos: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais doloroso."
Seg | 08.10.12

Saudades da Serra d'Arga

José Guimarães
Mais do que falar sobre o Grande Trail da Serra d'Arga, porque com certeza muitos vão ser os bons comentários sobre a prova deste fim de semana, gostava em alternativa de deixar aqui umas palavras sobre a Serra d'Arga. Creio que se justifica, já que no ano passado não foi possível nem aproveitar as suas excelentes condições para a prática do trail running (todos se lembram do temporal que caiu no dia da prova e que obrigou a organização a cancelar a mesma a meio), nem sequer aproveitar as belíssimas paisagens que se estendem de Caminha à vizinha espanhola Galiza e sei eu lá mais onde. grande-trail-serra-darga-carlos-sa-desedentarioamaratonista

O património da Serra d'Arga

Localizada numa região do Alto Minho que se divide por quatro concelhos (Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Nova de Cerveira e Caminha), a Serra D’Arga situa-se entre o rio Lima e o rio Minho. Situada no sistema montanhoso Peneda-Gerês, a Serra d'Arga é de origem granítica. O isolamento e a dureza do clima da serra há muito tempo que aguçou as artes de quem cá tinha de viver. Pontes engenhosas, moinhos de água e calçadas empedradas, são algumas provas de como o homem se adaptou à vida na serra. Ao longo de todo o percurso somos brindados por belíssimos cursos de água que rasgam a serra e interrompem o silêncio que nos rodeia. A riqueza geológica das Argas vão dando a este percurso um toque especial, onde muitas vezes encontramos marcas dos tempos de exploração do volfrâmio. A serra está encimada por um planalto a pouco mais de 800 metros de altitude (sim, passámos por lá... e que longa foi a subida) e tem instalado um parque eólico que aproveita da melhor maneira os ventos fortes que ali se fazem sentir (e por onde também pudemos passar, já perto da fase final do percurso). Toda a Serra D'Arga está repleta de património natural, como quedas de água, piscinas naturais, terrenos férteis, pinheiros mansos e bravos, carvalhos, castanheiros e cedros. É também frequente encontrar rebanhos de cabras e ovelhas, bem como alguns animais selvagens, como coelhos, javalis, raposas, perdizes e o lobo, que infelizmente corre perigo de extinção. Não sei se todos puderam observar, mas por duas ou três vezes enquanto corria, lá bem no alto da serra, tive a sorte de me cruzar com alguns bandos de cavalos selvagens, os garranos. E não eram poucos. Assim por alto, contei num dos bandos pelo menos uns seis cavalos, além de duas crias. Infelizmente, tanto para a flora como para as pernas dos atletas, a serra está a ser invadida pelo arbusto com o nome bem sugestivo de "háquea-picante" (Hakea sericea). E por tantas vezes que eu amaldiçoei estes arbustos, fosse pelos cortes frequentes que causavam nas pernas que já não se permitiam a grandes desvios, fosse pelas mãos que, no caso de uma ou outra subida mais íngreme ou escorregadia, procuravam algum apoio e ZÁSSS!!! aquilo que encontravam eram estes simpáticos arbustos... picantes!!!

A que soube correr o Grande Trail da Serra d'Arga?

Ponto assente, contra dificuldades e contrariedades soube bem correr o Grande Trail da Serra d'Arga. Aliás, soube mesmo muito bem! O percurso é difícil: são 45 km e cerca de 5.000 m de desnível acumulado. Corrijam-me se estiver enganado, mas é "muita fruta"!!! Além do mais, quem como eu não pôde estar presente até ao fim das jornadas técnicas e assistir ao briefing do percurso, foi um bocado apanhado de surpresa, quando no final já contava correr até ao fim e, afinal, ainda tinha pela frente uma "bela" subida que deu cabo de muitos quadricípites que, ao serem sobrecarregados na subida, depois ressentiram-se na descida. Mas é para isso que servem as jornadas técnicas. E é para isso que servem os amigos que, durante o percurso, iam trocando impressões da distância final da prova. Obrigado por isto a todos! E muito se falava no final sobre a dureza extrema da prova. Mas a dureza faz parte da beleza destas provas. Se assim não fosse, será que existiriam entre os amigos e nas redes sociais comentários como "BRUTAL!!!" e "Para o ano lá estarei novamente!" e outros semelhantes? Não, com certeza que não. O Carlos Sá dizia no final da prova - e com razão - que, apesar de estar muito "na moda" fazer trails cada vez mais longos, isto demonstra como é perfeitamente possível organizar um trail mais curto, mas de dificuldades acrescidas. O trail running é assim mesmo. É para ser desfrutado durante o percurso, quando se ultrapassam barreiras naturais, físicas e até mentais. É para ser desfrutado no dia seguinte, quando os músculos doridos nos fazem lembrar aquele momento de dor enquanto se trepava aquele penedo enorme e o bem que soube quando, já no topo pudemos respirar de novo normalmente, admirar por segundos a paisagem e de novo voltar à corrida, restabelecidos... até à próxima dificuldade. Lembro-me de alguém perguntar nas jornadas técnicas como é que se superavam certas dificuldades e condições extremas em provas desta natureza. Lembro-me da resposta: "São precisos dois pares de ténis, dois frontais e... dois pares de pernas!" E o caminho é mesmo este: sabe-se o que se quer, trabalha-se para isso e conquista-se aos poucos o nosso lugar nesta vida. É fazer o que mais se gosta e usufruir o que de melhor a vida tem para nos oferecer, como superar os desafios (e a nós próprios), usufruir da natureza e partilhar com os amigos. Escusado será dizer que o Carlos Sá, a Desnível Positivo e todos aqueles que participaram na ótima organização desta prova estão de parabéns. A qualidade e simpatia com que os atletas eram recebidos nos fartos abastecimentos, as fabulosas condições do percurso, a ajuda do staff e a pronta assistência que vi ser prestada ao único caso de queda mais aparatosa que assisti, colocam esta prova num patamar de referência do trail running nacional. Prova disso é também o convívio com uma das lendas da modalidade, o senhor Marco Olmo, que neste fim de semana nos brindou com a sua presença, tirou um sem número de fotografias com um sem número de entusiasmados atletas e nos inspirou com a sua filosofia de vida. Quanto a mim, hoje é dia de seguir em frente e de trabalhar para o próximo desafio que já se avista no horizonte... bem próximo por sinal. Hoje há que ir correr um pouco e alongar devidamente, para tirar o empeno das pernas e seguir à risca o plano de treinos estipulado pelo António Nascimento, um ultra-Ser de outro planeta que tive a sorte de conhecer e cuja experiência e conhecimentos muito me têm ajudado neste percurso... e que neste fim de semana também tive o prazer de ver sorrir no meio desta cada vez maior família do trail running. A tal família que acompanha nos momentos bons e menos bons, que estende a mão quando dela precisamos, que ajuda a concretizar sonhos, como o da Analice, uma história que inspira a todos! Por último, mas não menos importante, queria deixar um destaque para a companhia incansável daqueles que, quer presentes, quer ausentes (os arrepios sentidos sozinho, lá bem embrenhado na natureza, são a prova que também estes me acompanham a toda a hora), mas sempre sorrindo, me vêem acompanhando em todas estas etapas de vida, sem o apoio dos quais isto seria certamente mais difícil de concretizar.

Visitem a Serra d'Arga e carreguem baterias

Deixo aqui um convite para quem, mesmo não sendo corredor, mas queira conhecer melhor este bonito pedacinho do nosso país, que o faça sem reservas. Programem um fim de semana para carregar baterias com ar puro e procurem o CISA - Centro de Interpretação da Serra d'Arga, uma estrutura da Câmara Municipal de Caminha que está orientada para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, divulgação, valorização e promoção do património ambiental e cultural da Serra d'Arga, turismo de natureza, como percursos pedestres interpretativos, visitas de estudo, ateliers de educação ambiental, mini biblioteca e venda de materiais promocionais e produtos locais.   Fontes: Caminha Município Nicho Verde - Desporto, educação, ambiente Wikipedia
Qui | 04.10.12

Lance Armstrong e a sua dieta vegetariana

José Guimarães
Muito se tem falado sobre o Lance Armstrong nos últimos tempos, principalmente sobre as acusações de doping que o fizeram perder os 7 títulos conquistados no Tour e o impedimento de participar nas provas de triatlo, nas quais se incluem as do tipo Ironman. Mas o que é certo é que poucos atletas têm a consistência da alta performance que Armstrong tem e, como se pode ler no excelente artigo do blog do meu amigo Luís Santos, o reconhecimento deste simples facto levanta todo o tipo de questões à volta do atleta. lancearmstrongsuprefrogsandiego O reconhecimento de Lance Armstrong como um dos maiores atletas da atualidade leva a que se tente perceber como funcionam estes atletas de topo, como e quanto treinam, o que comem, o que é preciso para atingirem este patamar. Relativamente ao Armstrong, já há muito que se fala sobre a sua dieta vegetariana e como a mesma lhe dá a energia necessária para que o corpo corresponda da melhor forma às exigências. Há muitos atletas profissionais que ao longo dos anos adotaram dietas de base vegetariana, como o triatleta Brendan Brazier, mas adicionar o Lance Armstrong a este contexto é - confesso - algo tremendo.

O caso de Lance Armstrong

Este atleta de 40 anos e (apesar de tudo) 7 vezes vencedor do Tour de France é reconhecido pelo seu regime de treinos rigoroso mas também pelo regime alimentar, digamos, diferente do habitual Numa entrevista ao Huffington Post, Lance Armstrong revela a sua aproximação diferente à nutrição e os resultados que até a ele o surpreenderam. "Comecei a nadar novamente e nado com um companheiro que iniciou um programa de dieta chamado Engine 2 Diet, à base de plantas, 100% natural e orgânico", afirma. "O seu pai foi um cardiologista famoso, autor do 'Forks Over Knives,' e foi o médico pessoal do presidente Bill Clinton. O Bill Clinton foi uma das pessoas mais conhecidas mundialmente que adotou uma dieta completamente vegetariana, graças à qual erradicou completamente a sua doença cardíaca. É uma dieta basicamente composta por alimentos completos, diferentes tipos de feijões, saladas com acabamentos bastante atrativos. Há coisas que se parecem com "brownies", mas que não são "brownies"… apesar do sabor ser parecido. Portanto adotei a dieta por um dia, depois dois dias, depois comecei a adotá-la ao pequeno almoço e ao almoço. No entanto, insisto sempre em manter o que quero à hora do jantar, mas estas alterações fizeram uma diferença significativa logo no primeiro mês". Armstrong continua a dizer que as principais diferenças que começou imediatamente a notar foram os níveis de energia diários, bem como um aumento na capacidade mental e de concentração.
"Quando se treine muito é normal ter certas coisas para o almoço ou pequeno almoço, ter aquelas vontades de comer", diz o atleta. "Eu não tenho mais essas vontades. Os meus níveis de energia nunca foram tão consistentes e tão altos. Por exemplo, gosto muito de dormir uma sesta, mas nem isso sinto mais necessidade de fazer." Tal como noutras dietas, Lance diz que a coisa mais difícil é encontrar alimentos de qualidade enquanto não está em casa, isto porque na sua dieta não entram coisas como croissants, bolos, etc. "O pequeno almoço não é difícil, porque posso trazer os meus próprios cereais comigo, comprar um leite de amêndoas, bananas, misturar tudo, etc. Com planeamento é possível fazê-lo de forma relativamente fácil".

O meu caso... vosso caso?

veggie_sloppy_joeEu próprio adotei há alguns tempos uma dieta em que, no mínimo, tenho que ter sempre que possível 50% de alimentos verdes no meu prato, como uma boa salada com vegetais variados e com frutos secos, por exemplo. Agora entre nós, a experiência do Lance Armstrong dá-vos alguma motivação para experimentarem uma alimentação mais saudável, por exemplo, adotando um pequeno almoço e/ou um almoço diferente, à base de plantas, durante um mês e verificar os resultados? Coloquem aqui os vossos comentários, gostava de conhecer a vossa opinião sobre este assunto. Até pode ser que se arranje um desafio interessante...

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